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  • Líderes de posse de bola não vencem na estreia

    Líderes de posse de bola não vencem na estreia

    Nova Jersey — A Copa do Mundo costuma ditar tendências, mas também adora derrubar certezas. A primeira rodada do torneio da Fifa chega ao fim nesta quinta-feira (18/6) com uma curiosidade estatística que desafia um dos principais dogmas do futebol moderno: nenhuma das cinco seleções que mais controlaram a posse de bola venceu. Em tempos de culto à circulação da pelota, a competição parece premiar mais a objetividade do que o domínio territorial.

    Portugal foi quem mais se aproximou de um monopólio. Embalada pela qualidade técnica de Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes e Bernardo Silva, a seleção comandada por Roberto Martínez ficou com 75% da posse contra a República Democrática do Congo. Controlou o ritmo, trocou passes e empurrou o adversário para trás, mas deixou o campo com um frustrante empate por 1 x 1.

    A Espanha, herdeira direta do tiki-taka que a levou ao título mundial em 2010, repetiu o roteiro. Com Rodri, Pedri, Dani Olmo e Lamine Yamal, os campeões da Euro trocaram mais de 800 passes diante de Cabo Verde. Houve pressão, volume ofensivo e 28 finalizações. Faltou “apenas” o gol. O paredão Vozinha sustentou o placar original.

    A Turquia também seguiu a cartilha do controle. O talento de Hakan Çalhanoglu e Arda Güler garantiu superioridade técnica e posse prolongada diante da Austrália. O problema foi transformar domínio em eficiência. Os turcos rondaram a área adversária, mas terminaram derrotados por 2 x 0.

    A Suíça viveu situação semelhante contra o Catar. Com mais posse e iniciativa ofensiva, os europeus chegaram à frente graças a um pênalti convertido por Embolo. Os anfitriões da última Copa do Mundo não se incomodaram em entregar a bola e esperar o momento certo para atacar. Foram recompensados com o empate nos acréscimos do segundo tempo.

    Nem mesmo o Uruguai escapou da armadilha. Dono de um dos meios-campos mais qualificados da competição, com Federico Valverde e Nicolás de la Cruz como referências criativas — ainda falta entrar Arrascaeta —, a Celeste ficou com 67% da posse diante da Arábia Saudita. O controle da bola, porém, não impediu os sustos. Os sauditas criaram oportunidades para vencer, e coube a Maximiliano Araújo evitar uma estreia ainda mais amarga ao marcar na reta final.

    A tendência observada na primeira rodada ajuda a explicar uma discussão. Em vez de disputar a posse de bola, há preferência pela disputa por espaço. Recuam-se as linhas, compacta-se o sistema defensivo e acelera-se a transição assim que recuperam a bola. A Seleção Brasileira tentou ter posse e incomodar Marrocos com pressão na saída, quando a melhor estratégia seria retroceder algumas casas para se segurar nos pontas Vinicius Junior e Raphinha. 

    O tema apareceu, inclusive, na entrevista coletiva de Danilo nesta quarta-feira. Um dos líderes da Seleção Brasileira admitiu que o país ainda está distante do estágio de maturidade de potências como França, Argentina e Espanha e defendeu uma reflexão sobre a forma de jogar. 

    Para o jogador de três Copas do Mundo, o Brasil talvez não precise pressionar tão alto nem assumir o protagonismo o tempo inteiro. Em determinados contextos, abrir mão da posse e atacar os espaços deixados pelo adversário pode ser o caminho mais inteligente.

    “Temos que usar outros mecanismos. Talvez não pressionar tão alto, abrir mão da posse de bola e o comando do jogo ser do adversário. Isso é maturidade”, analisou o lateral. 

    A primeira rodada da Copa parece reforçar a tese. Portugal, Espanha e Uruguai tiveram a bola. Os adversários tiveram o campo aberto. Em um torneio decidido nos detalhes, eficiência tem valido mais do que domínio. A posse continua sendo um caminho para vencer. Só deixou de ser o único.

  • Campo exige mudanças à Seleção de Carlo Ancelotti

    Campo exige mudanças à Seleção de Carlo Ancelotti

    Nova Jersey — O Brasil sonha há 24 anos com o hexa, mas o projeto foi retomado, acompanhado de outro número seis. O empate por 1 x 1 contra Marrocos na estreia da Copa do Mundo na América do Norte ampliou para seis jogos a sequência da Seleção sofrendo gols. A marca pesa para um grupo comandado por um treinador moldado na tradição defensiva italiana.

    A última vez que a defesa brasileira atravessou uma partida sem ser vazada foi na vitória por 2 x 0 sobre Senegal. Desde então, o bloqueio verde-amarelo foi rompido por Tunísia, França, Croácia, Egito, Marrocos e até pelo modesto Panamá. Em 13 partidas sob o comando de Carlo Ancelotti, a Seleção sofreu 12 gols em oito jogos.

    Ancelotti terá cinco dias para encontrar respostas antes do duelo contra o Haiti, o segundo compromisso brasileiro nesta Copa do Mundo. Embora Marquinhos e Gabriel Magalhães tenham sofrido o primeiro gol juntos na era do treinador italiano, a dupla dificilmente será desfeita. As maiores dúvidas estão nas laterais. Ibañez deve perder espaço para Danilo pela direita, mudança que não estava nos planos da comissão técnica antes da lesão de Wesley, considerado titular absoluto. No lado esquerdo, a disputa permanece aberta entre Douglas Santos e Alex Sandro.

    A questão para Ancelotti é saber se o problema será corrigido no campo das ideias ou em peças. Pelas palavras do treinador, as mudanças não estão descartadas. O italiano jamais escondeu a preferência por um elenco competitivo e sem titulares intocáveis. Depois da estreia abaixo do esperado, deixou claro que a escalação para enfrentar o Haiti pode ser diferente. “Eu tenho que aproveitar o elenco e não fixá-lo. Falei ontem (sexta-feira) que a escalação inicial não era a que termina o jogo. Pode mudar, dependendo das características da equipe rival”, comentou.

    Ontem, jogadores que iniciaram a partida contra Marrocos fizeram treino regenerativo no período matutino, enquanto os demais trabalharam na academia. Hoje, o elenco retoma os treinamentos táticos e técnicos, às 16h. É uma semana decisiva. Em fase final de recuperação de lesão na panturrilha, Neymar pode ser reintegrado aos treinos e calçar as chuteiras pela primeira vez. Desde a apresentação na Granja Comary, tem focado nos exercícios fisioterapêuticos.

    “Neymar está trabalhando muito forte para se recuperar o mais rápido possível. A expectativa é que ele se recupere e se integre ao grupo. Nós o convocamos não só pela qualidade técnica, que é indiscutível, mas também pela experiência e pelo exemplo que ele pode representar para os jovens que temos nesse grupo”, destacou Ancelotti.

  • Não publica – Teste Tecnologia

    Não publica – Teste Tecnologia

    A Praça São Lucas, na Vila Cruzeiro, carrega marcas que o tempo não apaga. Em 2025, a ‘Operação Contenção’ transformou o espaço em símbolo de luto, com mais de 60 corpos enfileirados. Hoje, porém, o cenário ganhou novas cores. Às vésperas da Copa do Mundo, o concreto marcado pela tragédia se converteu em esperança, tomada por pinturas verdes e amarelas que reúnem moradores em torno de um mesmo sonho: o hexacampeonato brasileiro.

    A maior operação militar realizada no Rio de Janeiro deixou para trás cenas de luto, dor e desesperança. Em 2026, porém, o contraste salta aos olhos: onde a tragédia marcou o concreto, o verde e amarelo agora devolvem cor ao espaço. As feridas permanecem, mas a Copa do Mundo transforma a praça em um símbolo de resistência, mostrando que, mesmo após os capítulos mais sombrios, a esperança ainda encontra caminhos para florescer.

    “Onde um dia foi palco do resultado da maior operação policial do estado do Rio de Janeiro, hoje, está pintada e é um novo marco na história da Penha”, afirmou Cadu Maia, comunicador responsável por registrar a arte nas ruas da comunidade.

    Leia também: Manifestantes e policiais entram em confronto na estreia da Copa.

    A pintura transforma o asfalto em narrativa. A arte nasce com a imagem do Cristo Redentor, acompanha um menino fazendo embaixadinhas e atravessa o nome “Brasil”, colorido de azul e amarelo. Mais adiante, surge Neymar Jr., seguido pela figura de um jogador erguendo a taça mais desejada do futebol. Ao fim do percurso, uma frase sintetiza o sentimento que colore a rua: “Rumo ao hexa”.

    Corpos são vistos enfileirados na Praça São Lucas, na favela Vila Cruzeiro, no complexo da Penha, Rio de Janeiro, Brasil, em 29 de outubro de 2025, após a Operação Contenção
    ‘Operação Contenção’ resultou na morte de 122 pessoas: 60 corpos foram colocados lado a lado na Praça São Lucas(foto: PABLO PORCIUNCULA / AFP)

    A ‘Operação Contenção’ foi uma grande ação conjunta das polícias civil e militar ocorrida em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e Alemão. O resultado foi a morte de 122 pessoas, sendo 117 suspeitos civis e cinco agentes de segurança, segundo dados oficiais. Na Praça São Lucas, ao menos 60 corpos foram colocados lado a lado, onde familiares desesperados realizaram o reconhecimento e o resgate para os trâmites funerários.