Faltando cinco dias para o segundo turno das eleições gerais, operadores do mercado financeiro seguem otimistas com a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), em mais um dia positivo para a Bolsa de Valores de São Paulo (B3), mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta recuperação não apenas nas redes sociais.
Conforme dados da Íris, ferramenta pública que estima as chances dos candidatos nas eleições a cada momento, levando em consideração principalmente as pesquisas de opinião, mostra uma mudança no pêndulo, que vinha mostrando uma inclinação maior à direita, mas, nesta terça-feira (20/10), apresenta empate técnico entre os dois candidatos.
No dia de hoje, o empate técnico do pêndulo mostrava uma ligeira vantagem para Flávio, com 53% de chances de vitóri,a enquanto Lula tinha 47%. Isso mostra avanço do candidato petista e recuo das chances do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Antes do primeiro turno, o pêndulo oscilava mais para a direita e, no dia 23 de setembro, por exemplo, Flávio apresentava 71% de chances de vitória para Flávio enquanto Lula tinha 29%.
O pêndulo representa a probabilidade do resultado final da eleição projetado pela Íris, oscilando entre os dois campos ideológicos — direita e esquerda, conforme a chance combinada de vitória dos candidatos de cada campo. O indicador pende para o lado com maior chance de vencer. E quanto maior for a incerteza sobre o resultado final, mais ele balança.
Bolsa em alta
Mesmo assim, o otimismo do mercado financeiro fez o Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da B3, encerrar o pregão de hoje com alta de 1,57%, aos 208.296 pontos. Contudo, o índice chegou a atingir a máxima de 1,88%, encostando nos 209 mil pontos.
No ano, a B3 acumula valorização de 29,28%, sendo que, apenas em outubro, a alta acumulada até hoje foi de 11,78%. O dólar voltou a desvalorizar frente ao real, e encerrou o dia com queda de 0,58%, cotado a R$ 5,019 para a venda.
Apesar de os operadores do mercado continuarem usando o argumento de que há mais chance de Flávio fazer o ajuste fiscal a partir de 2027, para justificar a preferência, tudo indica que eles estão esquecendo de fazer as contas, porque, se colocarem todas as recentes promessas que o senador fluminense vem dizendo que vai cumprir, como a manutenção do Bolsa Família e a até a proposta de compra de dívidas junto a bancos, de pessoas físicas e privadas que não estão bem explicadas, a conta não fecha. E fecha menos ainda se ele começar a cortar impostos como vem prometendo, de acordo com especialistas que apontam problemas nos planos econômicos dos dois candidatos.
O discurso de Flávio tem ficado tão confuso que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que é considerado tolerante com o aumento de gastos públicos de Lula, fez um alerta sobre os riscos das propostas bolsonarista e afirmou que a promessa do candidato da extrema-direira é díficil de cumprir.
Veja o pêndulo desta segunda-feira (20/10)
