O valor de mercado consolidado das empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) registrou perda de R$ 734 bilhões, nesta segunda-feira (26/10), conforme levantamento da Elos Ayta. O montante recuou de R$ 5,684 trilhões, em 23 de outubro, para R$ 4,950 trilhões, uma retração de 12,91% em apenas um pregão.
No levantamento, Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta, destacou que a perda em valor de mercado das ações da B3 responde a quase uma Petrobras, que é de aproximadamente R$ 746 bilhões. “Isso significa que a Bolsa brasileira perdeu, em um único dia, o equivalente a 98,4% do valor de mercado da Petrobras. Em outras palavras, quase uma Petrobras inteira desapareceu em valor de mercado em apenas um pregão”, escreveu em relatório.
Essa desvalorização reflete a frustração dos operadores da Bolsa, que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e não esperavam a virada histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas urnas, ontem. O Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da B3, encerrou o dia com queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, mas, chegou a despencar 17,34% no início da manhã, quando foi necessário interromper as negociações, pelo “circuit breaker”. A última vez que isso ocorreu foi em março de 2020, durante a pandemia de covid.
Foi a maior tombo da B3 hoje foi o maior desde 16 de março de 2020. Neste ano, o índice acumula alta de 9,61%, mas, no mês de outubro, que vinha registrando vários recordes com operadores aumentando as apostas na vitória de Flávio, o sinal, agora, inverteu e a B3 tem queda acumulada de 5,22%.
Na contramão, o dólar voltou a ser negociado a R$ 5,60, mas encerrou o pregão com alta de 8,21%, cotado a R$ 5,403 para a venda — nível mais elevado de fechamento de desde 5 de janeiro (R$ 5,4055). Contudo, no avanço percentual no dia foi o maior desde 13 de janeiro de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o país adotou regime de bandas cambiais. No mês, a divisa acumula alta de 4,40%, mas tem queda de 1,57% no ano.
De acordo com Rivero, a forte desvalorização das empresas listadas na B3 interrompeu um período de expressiva recuperação das empresas brasileiras, especialmente após o primeiro turno das eleições presidenciais. Entre 2 e 23 de outubro, o valor de mercado consolidado das companhias havia aumentado R$ 409 bilhões, passando de R$ 5,275 trilhões para R$ 5,684 trilhões. Entretanto, a queda de R$ 734 bilhões registrada nesta segunda-feira não apenas eliminou integralmente esses ganhos, como também levou o valor de mercado da Bolsa a um patamar R$ 325 bilhões inferior ao observado em 2 de outubro, último pregão antes do primeiro turno.
Rivero destacou também que a dimensão da reversão fica ainda mais evidente quando considerada a evolução desde o encerramento de 2025. Entre 31 de dezembro de 2025 e 23 de outubro de 2026, o valor de mercado das empresas listadas na B3 havia crescido R$ 972 bilhões, passando de R$ 4,712 trilhões para R$ 5,684 trilhões.
“A perda de R$ 734 bilhões em um único pregão consumiu 75,5% de toda essa valorização acumulada ao longo de quase 10 meses. Apesar da forte retração, o valor de mercado consolidado ainda permanece R$ 238 bilhões acima do registrado no encerramento de 2025, equivalente a uma valorização de 5,05% no ano”, acrescentou. Segundo ele, o levantamento evidencia a velocidade com que ganhos acumulados durante vários meses podem ser revertidos em momentos de elevada volatilidade no mercado acionário brasileiro.