O valor de mercado das empresas da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) acumula perdas de R$ 731 bilhões desde o pico de fevereiro deste ano, em grande parte, devido ao aumento das incertezas globais após o estouro do conflito no Oriente Médio. Conforme levantamento da Elos Ayta, divulgado nesta sexta-feira (19/6), o valor de mercado das 302 companhias listadas na Bolsa brasileira perdeu praticamente o que vinha registrado de ganhos desde dezembro de 2025.
De acordo com o estudo, entre dezembro e fevereiro, a recuperação do mercado acionário brasileiro elevou o valor de mercado das companhias em R$ 739 bilhões, levando a capitalização consolidada de todas as empresas da B3 ao recorde de R$ 5,447 trilhões no fechamento de fevereiro. Desde então, a volatilidade do mercado reinou o valor das empresas listadas na Bolsa atingiu R$ 4,717 trilhões, em 18 de junho, valor próximo ao de dezembro de 2025, quando a B3 encerrou aos 168.277 pontos. E hoje, o Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da B3, iniciou o pregão com perdas, mas começou a operar no azul na parte da tarde.
“O comportamento recente evidencia uma dinâmica de ida e volta do mercado acionário brasileiro. Após atingir o recorde em fevereiro, as companhias listadas na B3 acumularam quatro meses consecutivos de redução do valor de mercado, devolvendo praticamente toda a valorização obtida no início do ano”, destacou Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta. Segundo ele, essa perda de R$ 731 bilhões da B3 equivale a 1,37 vezes o valor de mercado de ontem da Petrobras, de R$ 531 bilhões. A companhia foi uma das que mais se valorizou após o início do conflito no Oriente Médio, mas, recentemente, tem registrado queda na B3 devido à queda nos preços do barril do petróleo.
“Essa perda de valor de mercado da Bolsa está relacionada com o início da guerra que aumentou a incerteza global. A Petrobras se valorizou e acabou ajudando a sustentar um pouco o índice, mas o início da queda de juros e o aumento das incertezas também contribuíram para essa forte desvalorização das empresas listadas na Bolsa”, explicou Rivero.
Ponto fora da curva
De acordo com o especialista, a amostra ainda inclui uma companhia “que apresentou comportamento atípico em função de um evento societário extraordinário”: a Bradesco Saúde, que registrou uma forte expansão do valor de mercado em decorrência da incorporação da operação pela controladora, movimento que provocou uma elevação pontual da capitalização da empresa.
Considerando apenas as 301 empresas restantes, o valor de mercado consolidado era de R$ 4,703 trilhões em dezembro de 2025 e recuou para R$ 4,679 trilhões em 18 de junho de 2026. “O levantamento reforça que a recuperação observada no primeiro bimestre de 2026 perdeu força ao longo do segundo trimestre. Em termos agregados, o mercado brasileiro encerrou o período praticamente no mesmo nível de capitalização observado no fim de 2025, evidenciando que a valorização registrada no início do ano não se sustentou nos meses subsequentes”, acrescentou Rivero.