O retorno do xadrez: estampa clássica e grunge é a grande aposta do Outono/Inverno 2026

A padronagem que marcou o estilo punk e também representa sofisticação voltou com tudo para as passarelas e street style, agora repaginada

O retorno do xadrez: estampa clássica e grunge é a grande aposta do Outono/Inverno 2026 | Fotos: Reprodução/Pinterest

Se existe uma estampa incapaz de desaparecer completamente da moda, é o xadrez. Mas, em 2026, a aposta é de um padrão com nova personalidade, contornos menos óbvios e longe da estética de festa junina. Entre saias longas em tartan, kilts e camisas de botão amarradas na cintura em combinações despretensiosas no street style ou blazers, vestidos e cortes mais sofisticados, o xadrez voltou com força a ocupar espaço no guarda-roupa fashionista, se é que um dia saiu.

Este resgate pode ter diferentes motivos, como a onda de referências dos anos 1990 e 2000 que dominam a moda há algum tempo. Porém, a tendência também conversa com uma crescente busca por peças que transmitem personalidade, textura e história. Depois que as clean girls, o minimalismo, o quiet luxury e o estilo old money saturaram as redes sociais, a trend ressurge como um respiro visual, trazendo menos perfeição, mais cor e muita expressão.

Como usar o xadrez no dia a dia

A padronagem bate ponto com presença forte em peças clássicas e elegantes. Blazers, suéteres e cachecóis em diferentes padrões de xadrez em cores sóbrias são uma boa aposta para o outono e o inverno.

Mas o que está realmente bombando são as modelagens amplas. Sofisticadas ou despojadas, é a vez das saias midis, longas e dos próprios kilts. E combinar é fácil: adicione botas pesadas, jaquetas de couro, blazers oversized, corsets ou camisetas para um look grunge. Se o seu estilo é mais refinado ou delicado, escolha loafers, sandálias e botas de salto, tricô, camisas de botão ou até uma regata básica.

Para quem prefere os comprimentos minis, as saias curtinhas plissadas também são uma opção. E é super válido quebrar o estilo colegial com peças punk ou até se entregar para a estética preppy.

Mais um item que também está de volta e repaginado são as tradicionais camisas xadrez. Desta vez, elas aparecem com toques divertidos, seja como terceira peça, por baixo de casacos e jaquetas, ou até amarradas na cintura como um acessório extra no look.

Quando o xadrez vai sair de moda?

Para quem tem medo de investir em tendências que podem desaparecer em poucos meses, aqui vai a boa notícia: o xadrez dificilmente sai de moda. Ao longo do tempo, o que muda é a maneira como ele é usado e representado.

Tartan, plaid, argyle, buffalo check, prince of Wales ou houndstooth são apenas algumas das inúmeras variações do padrão que atravessa décadas, estilos e movimentos culturais sem perder força. E por haver tantas alternativas e combinações de cores, é bem mais fácil de combinar e muito mais difícil de enjoar.

Vale a pena investir na tendência?

Talvez o segredo da longevidade do xadrez seja justamente sua multiplicidade. É uma estampa que consegue ser aristocrática e punk, clássica e bagunçada, vintage e contemporânea, tudo ao mesmo tempo. O que muda é o styling e o modelo de cada peça, mas o plaid consegue facilmente transitar entre o uniforme escolar, o grunge, o luxo britânico e o streetwear.

Para quem busca uma roupa para fugir do preto, branco e marrom, vale apostar sem medo. O xadrez pode até sumir dos holofotes de tempos em tempos, mas ele nunca vai embora e nunca fica batido.

Quem inventou o xadrez?

A origem da padronagem quadriculada remonta à Europa, usada pelos povos celtas séculos atrás. Foi na Escócia, no entanto, que o tartan ganhou significado e foi incorporado por tradicionais famílias e clãs locais como uma forma de identificação e diferenciação, cada um com seu próprio padrão. Associada por gerações aos kilts escoceses e à herança britânica, a estampa colorida ultrapassou esse nicho ao longo do século XX e transformou-se em um dos códigos visuais mais populares da moda.

Uma das grandes responsáveis por essa democratização foi Vivienne Westwood, estilista que ajudou a transportar o tartan do conservadorismo aristocrático ao universo punk nos anos 1970. A designer britânica misturava constantemente alfaiataria inglesa, corsets, kilts e referências anárquicas a peças provocativas, consolidando o xadrez como um símbolo de inconformismo, irreverência e rebeldia.

Décadas depois, sua influência continua evidente nas passarelas e no street style, e o padrão ainda marca presença na maioria das criações da grife homônima.

Vivienne Westwood faleceu em 2022 | Foto: Pierre Verdy/AFP

O xadrez nas passarelas

Além de Vivienne Westwood, outras marcas também adotaram o xadrez como essência. A versão Burberry, por exemplo, leva este nome em homenagem à grife que desenvolveu e registrou a estampa. Conhecida por sua essência britânica, a maison tem apresentado novas coleções focadas nas novas gerações, apostando no plaid, nos cachecóis e em peças de alfaiataria mais contemporâneas. As mudanças fazem parte de seu rebranding e reposicionamento criativo, e que tem dado certo. Ausente do top 20 grifes mais desejadas do momento da Lyst em 2024 e 2025, a marca agora ocupa o 9º lugar.

Outras grifes que aparecem na The Lyst Index também têm explorado diferentes versões do xadrez em suas coleções nos últimos anos, como Chanel (1º lugar), Dior (3º), Miu Miu (4º), Bottega Veneta (15º) e Loewe (16º).