Nissan Kait é o antigo Kicks reestilizado. E isso é muito bom

SUV compacto manteve as características positivas do antecessor e ainda ganhou um tapa no visual. Confira a avaliação da versão topo de linha, que custa R$ 153 mil

Você provavelmente sabe a história do Nissan Kicks no Brasil. Ele era um SUV compacto, virou médio, ficou mais sofisticado e, claro, tornou-se mais caro – mas manteve o nome. O velho Kicks não desapareceu: ganhou o sobrenome Play, transformou-se numa espécie de versão de entrada da marca e continuou vendendo muito bem, até mais do que o agora irmão mais chique. Agora, o Kicks Play saiu de linha e nasceu o Kait. Mas o novo Kait é uma apenas uma reestilização do velho Kicks? A coluna Multieixos o testou por uma semana e constatou. Sim, é uma atualização visual, aquela aplicação de uma atraente roupagem. E isso é muito bom. Afinal, há várias razões pelas quais um novo produto, desde que tenha como base um mais antigo, costuma ter maior probabilidade de sucesso. Ele passou, por exemplo, pelo que os profissionais de marketing classificam de validação, aprendizado e escalonamento. 

Nissan Kait, Resende, RJ
Foto: Pedro Danthas/Divulgação Nissan

Lançado em agosto de 2016, o velho Kicks ofereceu à Nissan e seus clientes um histórico de uso capaz de gerar informações suficientes para melhorar funcionalidades e corrigir falhas. O Kait, por exemplo, manteve o que as famílias de classe média brasileiras (e, claro, taxistas, frotistas, motoristas de aplicativos etc) querem: tem bom espaço interno, proporciona conforto e, o melhor de tudo, tem um motor confiável (embora pouco ágil) e de baixo consumo de combustível. Enfim: o Kait preservou o que tinha de melhor e ainda ganhou uma repaginação no design.

Nissan Kait, Resende, RJ
Foto: Murilo Góes/Divulgação Nissan

A Nissan até tenta que o Kait não seja entendido comercialmente como apenas um produto reestilizado. Mesmo que estejam nele vários itens do modelo anterior – como teto, portas e até o para-lamas. Mas a Nissan deveria lembrar que reestilizar é aprimorar, requintar, aperfeiçoar. E que quaisquer eventuais defeitos comuns a um produto inédito têm menos chances de aparecer numa situação como essa. E, ainda, que o custo de produção seja bem mais em conta. Não à toa, o SUV brasileiro será exportado para pelo menos 20 países, incluindo o México. Confira o que ele tem de melhor.

As dimensões – O Kait tem 4,3m de comprimento, 1,76m de largura, 1,59m de altura – com entre-eixos de 2,62m de entre-eixos. Oferta mais espaço do que o Volkswagen Tera (2,56m) ou o Fiat Pulse, outro concorrente direto, com 2,53m. O porta-mala do compacto da Nissan tem capacidade para 432 litros de capacidade – um banho no do Tera, de apenas 350 litros.

O motor – Esse ponto pode (ou não) ser polêmico. O fato: a Nissan manteve o 1.6 aspirado flex de quatro cilindros e 16 válvulas. Ele gera até 113 cv e 15,5kgfm – o que, convenhamos, fica bem abaixo dos números dos concorrentes. O Fiat Pulse, só para ficar num exemplo já citado, tem propulsor 1.0, embora turbo, com até 130 cv e torque de 20,4 kgfm. A versão topo de linha do italiano, transformado em Abarth, traz motor 1.3 com 185 cv e 27,5 kgfm de torque. Isso não chega a ser um nó górdio, mas mesmo no trânsito urbano diário nota-se a falta de força do Kait. O carro fica pouco ágil. Numa ação de ultrapassagem, o barulho do motor vai às alturas. E não passa segurança nas rodovias, mesmo em retomadas. A falta de referência sobre os turbos nos 1.0 até pode deixar os clientes fiéis da Nissan satisfeitos, mas basta um teste rápido com um concorrente que eles sentirão a diferença. Ah, o câmbio automático é um CVT (continuamente variável) de seis marchas simuladas. 

Consumo – O motor, por sua vez, é confiável – e está dentro daquele pacote que conquistou por méritos próprios. E, para aqueles motoristas de pé leve, cuidadosos, é bem econômico. Vale reforçar: dados de consumo devem ser vistos com parcimônia, levando em conta modo de condução, carga do veículo, condições da via e por aí vai. Mas, já que insistem, vejamos: o Kait tem médias públicas de 11,3 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada – com gasolina. Em estradas, pode chegar a 16 km/l. Posiciona-se, desta forma, na mesma faixa (talvez um pouco menos) dos 1.0 TSI do VW Tera ou mesmo do Fiat Pulse 1.3 AT.

Visual – Muitas peças do Kait são do Kicks antigo. De novidade, capô, faróis em LED na frente e na traseira – além de rodas, para-choques e tampa do porta-malas, uma mudança bem perceptível. Aliás, o conjunto óptico frontal e traseiro ficou muito bonito, fino, estiloso – e que chama a atenção à primeira vista. Isso inclui as DRLs (luzes de rodagem diurna), de três listras. E, como funcionalidade, ainda oferta o acendimento inteligente, o chamado sensor crepuscular com regulagem elétrica de altura. Por fim, vale lembrar do sistema “Follow me Home” (ou “siga-me para casa”). Essa função de segurança e conveniência mantém os faróis baixos ou lanternas do veículo acesos por um tempo determinado (geralmente 30 a 270 segundos) após desligar a ignição e fechar o carro. Ele ilumina o caminho em garagens ou locais escuros. 

Preço – A versão testada, a Exclusive, tem preço sugerido de R$ 152,9 mil. Combate o  Pulse Impetus, mas não o Hybrid, que custa pouco abaixo dos R$ 150 mil. Em relação ao VW Tera, só disputa com a versão High, pouco acima dos R$ 140 mil. No caso do Renault Kardian, seu rival é a Iconic, também na faixa dos R$ 150 mil. 

Nissan Kait, Resende, RJ
Foto: Murilo Góes/Divulgação Nissan

Vida a bordo – O acabamento da versão topo de linha tem saídas de ar arredondadas, central de entretenimento com tela de 9 polegadas e conexão Apple CarPlay e Android Auto sem fio. Com a popularização dos chineses e suas grandes telas, o conjunto do Kait fica meio fora de moda, digamos assim. O quadro de instrumentos, por sua vez, é mais moderno, com duas telas digitais. Tem chave presencial para abertura das portas e partida por botão. Os bancos têm revestimento em couro, mas não são tão aconchegantes quanto deveriam para um carro de R$ 150 mil. Em termos de segurança, destaque para os seis airbags e para o alerta e assistente de frenagem e detecção de pedestre. Vale, ainda, destacar o assistente de permanência em faixa, a câmera com visão 360º, o alerta de ponto cego, a frenagem autônoma de emergência e o controle de cruzeiro adaptativo (ACC). O ar-condicionado desta versão é digital.