O primeiro estranhamento de quem se aproxima de um Leapmotor C10 é: como abri-lo? Não há chave física tradicional. Nem mesmo o botão na maçaneta da porta. Ao comprá-lo, o novo dono leva um cartão NFC, que vem com um chip sem fio de curto alcance (até 10 cm) para permitir pagamentos e troca de dados por aproximação, por meio de criptografia. Para abrir e fechar o veículo, basta apróximá-lo da quase invisível saliência nas costas do retrovisor direito dianteiro. Ah, ele não desmagnetiza. Entrando no veículo, outra dúvida: como ligá-lo? Basta pôr o cartão no console central, mover a alavanca de marcha ao lado do volante para D (ou R) e tocar a vida.

E mais: você pode esquecer o cartão NFC e fazer tudo isso apenas com o seu celular, depois de baixar um aplicativo. Com o smartphone, além de destravar e ligar o veículo (sem tirar o aparelho do bolso), o motorista consegue controlar outras funções, como o ar condicionado. A partir daí, quaisquer ações são feitas a partir de comandos na central multimídia de 14,6 polegadas acessível ao toque: como, por exemplo, escolher a direção do vento do ar-condicionado, ajustar os modos de condução, alterar modos do áudio, criar cenários personalizados na tela ou até mesmo determinar a intensidade de resposta do freio. Ok, o Leapmotor C10 foi projetado para evitar o excesso de botões. Mas como isso afeta o consumidor, principalmente os mais velhos, não tão bem relacionados com a tecnologia? A ver. O processo não é necessariamente intuitivo, mas depois que se entende a lógica, funciona como um smartphone de última geração.

O Multieixos testou ambas as versões por uma semana cada. Foi o suficiente para constatar que por R$ 205 mil (elétrico, BEV) ou R$ 220 mil (o ultra-híbrido, REEV) esse modelo vale muito a pena. O primeiro, claro, é mais urbano, dependente dos eletropostos; o segundo, dando mais liberdade para viagens, por ter uma autonomia total (tanque de combustível de 50 litros e a bateria elétrica) de até 950 km. Nos dois casos, a relação custo-benefício é muito boa. Sim, mesmo que seja um carro chinês novo – embora com uma carga empresarial ocidental pesada por trás, como a Stellantis (dona da Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën etc, com as marcas do grupo dando inclusive suporte à Leapmotor).

Bem, o modelo já começa se diferenciar dos convencionais internamente – embora, à primeira vista, se destaque o console central com um carregador de indução para celulares, boa quantidade portas-trecos e dois conectores USB – sendo um do tipo C de recarga rápida. Tudo é bem minimalista, digamos assim. O acabamento reúne uma mescla de materiais macios de alta qualidade, que são ainda mais destacados por uma exclusiva iluminação ambiente em que as luzes na porta e painel, por exemplo, mudam de cor durante manobras (sinalizando a proximidade de objetos) ou podem até mesmo funcionar no ritmo da música ouvida pelos ocupantes.

Os chineses da Leapmotor apostam na tese de que um carro deve se adaptar ao dono, e nunca o contrário. Por isso, há tantas configurações. É possível pedir verbalmente para o som abaixar quando a ré é engatada, acionar as câmeras de visão 360º ao se aproximar do meio-fio em manobras — com modo especial de visualização que foca individualmente as quatro rodas — ou mesmo transformar o carro estacionado em um refúgio: a um clique na tela o banco do condutor se reclina, janelas e a persiana do teto panorâmico se fecham e um som relaxante, complementado pela iluminação ambiente especial, permitem um descanso revigorante.

Mas há coisas mais úteis, na linha de automatização de rotinas, como em uma casa inteligente. Por exemplo: é possível programar o carro para que ele ligue automaticamente o ar-condicionado (mesmo quando estiver estacionado) sempre que a cabine chegar a uma determinada temperatura, ou fazer com que ele abra seu aplicativo de música favorito sempre que um passageiro se sentar e colocar o cinto de segurança.

Para se precaver em caso de imprevistos no trânsito, é possível acionar as quatro câmeras posicionadas na carroceria e retrovisores para realizar uma gravação contínua de 360º ao redor do carro, com armazenamento das imagens sendo feitas diretamente em um pen-drive. E o navegador on-line integrado analisa a melhor rota até seu destino, levando em conta engarrafamentos, nível de carga da bateria ao fim do trajeto e até mesmo a quantidade de semáforos em seu caminho.

Bem, até pouco se falou neste texto do carro em si, mas essa parafernália tecnológica toda veio para ficar – pode apostar. Assim como a REEV, o sistema ultra-híbrido que tem um motor a combustão projetado exclusivamente para gerar energia para recarregar as baterias do carro – ou alimentar o motor elétrico de tração.

É como se você tivesse um carro elétrico, mas com a independência de poder viajar a qualquer lugar. O C10, aliás, é o único SUV por aqui a oferecer tanto uma opção elétrica quanto a ultra-híbrida, ambas movimentadas exclusivamente por um motor elétrico. Em suma: o motor a combustão foi projetado somente para gerar energia, que pode ser usada tanto para recarregar as baterias do carro ou alimentar o motor elétrico de tração.

Esse motor permite que o cliente escolha como rodar, de acordo com sua necessidade: o modelo possui, além dos programas de condução, modos de energia específicos. São quatro, cada um pensado para atender à necessidade imediata:
EV+: prioridade máxima no uso da bateria, com acionamento do motor a combustão quando a bateria alcança um nível mínimo de carga;
EV: recomendado para o uso urbano no dia a dia, prioriza o uso da bateria, com acionamento eventual do motor a combustão se necessário;
Combustível: recomendado para viagens, faz a otimização da energia da bateria e motor a combustão para entregar a melhor autonomia possível
Power+: aciona instantaneamente o motor gerador, para momentos nos quais é necessário garantir energia para a bateria.

No modo combustível é possível também selecionar o nível de bateria desejado pelo condutor, possibilitando algo pouco comum no segmento: o C10 Ultra-Híbrido pode recarregar suas baterias enquanto roda, possibilitando o uso da energia posteriormente conforme desejo do cliente. Nas paradas, basta escolher o que for melhor para aquela situação: reabastecer o tanque ou recarregar o carro (e sair de 30% para 80% da bateria leva só 18 minutos em um carregador rápido).

Visual idêntico – Quanto ao modelo em si, ambas as versões possuem visual idêntico, se diferenciando externamente somente pelo bocal de reabastecimento de combustível do C10 ultra-híbrido. O tem estilo imponente, com seus 4,74 m de comprimento, 2,13 m de largura (com retrovisores) e 1,68 m de altura. Na traseira, com o assoalho plano, mais espaço para as pernas. O entre-eixos, vale lembrar, é 2,82 metros. Os passageiros de trás têm difusores de ar-condicionado exclusivos e dois conectores USB adicionais.

Os faróis totalmente de leds com tecnologia adaptativa (que ajusta a luminosidade conforme condições climáticas e tráfego) se integram ao para-choque frontal. Na parte inferior, faróis de neblina (também de leds) emolduram a entrada de ar equipada com persianas móveis, que só se abrem quando necessário, melhorando ainda mais a eficiência energética.

Sistema de som – O Leapmotor C10 vem com 12 alto-falantes e subwoofer para criar um áudio envolvente no padrão 7.1 (iguais aos home-theater residenciais de primeira linha) com 840W de potência. Microfones posicionados em pontos estratégicos permitem diferenciar qual ocupante do veículo está falando. Então, por exemplo: quando o passageiro dianteiro pedir via comando de voz para reduzir a temperatura do ar-condicionado, somente o lado direito será alterado.

Na direção – O grande diferencial do modelo em relação aos híbridos convencionais é que a tração dele é sempre elétrica, independentemente do nível de carga da bateria. Isso garante sempre a mesma experiência, conforto e performance, sem gargalos nos momentos de transição entre motores dos híbridos tradicionais.

Performance – A tração do Leapmotor C10 é sempre traseira, algo que resulta em mais performance em diferentes tipos de piso inclinados. O moderno motor síncrono (de maior eficiência) com ímãs permanentes entrega 32,6 kgfm de torque de forma instantânea, gerando 218 cv de potência na versão elétrica e 215 cv na ultra-híbrida. O conjunto é alimentado por baterias LFP (tecnologia com maior durabilidade e resistência à fuga térmica) de alta densidade com controle eletrônico e arrefecimento a líquido.
Ah, o carro também permite o uso da bateria dele para alimentar diferentes dispositivos elétricos. Esse recurso permite usar computadores, cafeteiras ou até geladeiras mesmo em locais sem infraestrutura ou em situações inesperadas de falta de energia na rede.

A recarga pode ser feita via conectores no padrão Type 2 (AC) e CCS2 (DC), sendo compatível com carregadores portáteis, wallbox e sistemas de recarga rápida de alta velocidade. O cliente também poderá, pelo sistema multimídia Leap One ou diretamente no app Leapmotor, programar o horário ideal de recarga em locais com tarifas diferenciadas ao longo do dia.

Assistência ao condutor – O Leapmotor C10 dispõe do Leap Pilot, que reúne uma ampla lista de recursos de conforto e segurança para o condutor. Entre os principais itens, leitor automático de placas, assistente de manutenção de faixa, piloto automático inteligente com controle automático da distância do veículo à frente, frenagem automática de emergência, alerta de veículo no ponto cego, aviso de tráfego cruzado, sensores de manobra com frenagem automática, faróis com facho alto automático, cintos dianteiros e traseiros laterais com pré-tensionadores e sete airbags — incluindo uma bolsa central dianteira entre os bancos frontais, projetada para impedir o contato entre os ocupantes em caso de acidentes.