O Renault Koleos, um SUV médio híbrido capaz de gerar 245cv lançado há quatro meses, não está na lista dos mais vendidos do segmento no Brasil. Mas quem tiver o privilégio de conhecê-lo, vai perceber: ele está, sim, num hipotético ranking dos mais refinados e seguros do país – exceto aquelas marcas voltadas exclusivamente para automóveis de alto padrão e que vendem (caríssimas) experiência de status, exclusividade e pertencimento. Por exemplo: o modelo vem equipado com 29 sistemas avançados de assistência à condução (ADAS), incluindo câmeras com visão de 540º. O painel, de ponta a ponta, abriga o interessante sistema OpenR, com três telas digitais de 12,3 polegadas cada – uma delas exclusiva para o passageiro dianteiro. E ainda tem um head-up display (aquele holograma de realidade aumentada que projeta a velocidade direto no para-brisa).

O espaço oferecido pelo entre-eixos de 2,82 metros é significativo. Nesta especificação, ele rivaliza com modelos como o Chevrolet Trailblazer (2,85m), Jeep Commander (2,79m) e Mitsubishi Pajero Sport (2,80m). Em suma: ele compete até com SUVs grandes. Mas a capacidade do porta-malas (431 litros) é inferior às oferecidas por estes concorrentes. O SUV da Jeep na configuração de cinco lugares, por exemplo, leva 661 litros. Se iguala ao GWM Tank, com 400 litros sem o rebatimento dos bancos traseiros.

O acabamento interno do Koleos usa materiais de boa qualidade, com revestimentos macios ao toque – e isso se deve ao esmero da divisão esportiva Alpine, a marca de esportivos criada em 1955 e comprada pela Renault em 1973. É um modelo global, importado da Coreia do Sul e produzido na plataforma CMA, a mesma de modelos da Volvo – e também fruto da parceria entre Renault e Geely. Sem falar no compartilhamento de recursos (principalmente na mecânica) desenvolvidos na aliança com a japonesa Nissan.

O conjunto híbrido auto recarregável usa um motor 1.5 turbo a gasolina e dois elétricos – que, somados, oferecem 245cv de potência e 32,6kgfm de torque. Também oferece cinco modos de condução ( do Eco ao Sport). A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 8,5 segundos. E aí fica claro aqui que, mesmo com a chancela da Alpine, o Koleos não é um esportivo. É mais voltado ao conforto e à sofisticação, claro.
Os dados de consumo, certificados pelo Inmetro, mostram até 13,9 km/l na cidade e 12,7 km/l na estrada (gasolina). É na média, embora na cidade haja rivais com menor gasto – seja na economia sem depender de recarga, com melhor equilíbrio entre consumo e desempenho ou maior autonomia elétrica.

O sistema de áudio é Bose, uma marca criada por um ex-professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o lendário MIT, dos Estados Unidos. Ele tem 10 alto‑falantes e cancelamento ativo de ruído (talvez o mais eficiente entre todos os outros sistemas neste requisito).
Enfim: é um carro e tanto. Só precisa ser, digamos assim, descoberto pelos consumidores. Por consumidores, claro, que tenham capacidade de desembolsar R$ 290 mil (com a cor Cinza Satin, acrescente R$ 3,5 mil, somando R$ 293,5 mil). É o modelo mais caro da Renault no Brasil. Aliás, já que surgiram aqui comparações, vale citar: o Commander topo de linha custa em torno dos R$ 336 mil. O Chevrolet Trailblazer, R$ 420 mil. O Mitsubishi Pajero Sport HPE-S, por fim, pode chegar a R$ 430 mil.

Nesta questão, vale uma ressalva: ainda que seja cedo, devido ao fato de ter chegado há apenas 4 meses, o Koleos é um carro de nicho – e isso pode se refletir na baixa liquidez, com pouca procura no mercado de usados e na depreciação. Mas se você não é daqueles que já compra um carro pensando no próximo dono, esses fatores passam a ser secundários.
Veredicto
Por uma semana, a versão única do modelo no Brasil foi testada pelo Multieixos. O uso foi maior nas vias urbanas – com pouco mais de 100 quilômetros em rodovias. Foi o suficiente para perceber o excelente conforto na condução. A suspensão, macia, privilegia o conforto e oferece boa estabilidade, principalmente na estrada. Destaque para o isolamento acústico – bem acima da média.

Os bancos são esportivos, largos e confortáveis – inclusive os traseiros. O estofamento é em tecido alcântara. Por sinal, os assentos dianteiros têm comandos elétricos. O teto panorâmico e o sistema de som de qualidade garantem uma boa sensação de bem-estar. Então, para qual perfil de consumidor o Koleos faz sentido? Para quem prioriza conforto, em detrimento da esportividade, de quem viaja, para quem deseja um ambiente refinado (muito caro nas marcas premium) e, enfim, quem quer ser exclusivo.





































