BYD amplia fábrica para fazer seu primeiro carro 100% nacional

Até o ano que vem, a planta em Camaçari, na Bahia, terá metade dos modelos totalmente nacionalizados. Hoje, o complexo já emprega 2,3 mil pessoas e deve chgar aos 20 mil até 2030

Walberto Maciel 
Especial para Multieixos

Salvador (BA) – A BYD tem uma meta ousada para sua fábrica em Camaçari (BA). Até 2030 ela quer quadruplicar a produção de veículos por lá e entre o fim de 2027 e meados de 2028 promete fabricar um carro 100% brasileiro. Hoje a fábrica monta no regime SKD (a carroceria já vem montada e até previamente pintada da China), 420 carros por dia ou 150 mil por ano. Em 2030, segundo o vice-presidente da marca para o Brasil, Alexandre Baldy, esse número passará para 600 mil, mirando o mercado brasileiro, a América Latina e mesmo parte da Europa. “Vamos ser a segunda maior fábrica da BYD no mundo e vamos garantir pelo menos 20 mil empregos diretos”, afirmou Baldy durante a visita da imprensa para conhecer os galpões de solda, estamparia e pintura que estão em fase de construção.

O primeiro carro 100% brasileiro da BYD não foi definido, mas poderá ser um Dolphin Mini, um Song Pro ou um King – os três carros que são montados na planta atual  pelo sistema SKD ou até um Song Plus, que também está garantido como o próximo modelo que entrará na linha de montagem em Camaçari.

Para os próximos anos, segundo o Head de Relações Públicas da BYD, Henri Karam, a estrutura atual da fábrica será espelhada – o que lhe proporcionará o dobro de toda parte física e garantirá a meta de até 2030 produzir 600 mil carros por ano. Hoje, são produzidos 150 mil. “Já trabalhamos a produção de 420 carros por dia, com 2,3 colaboradores diretos e mais uns 2,5 mil. Vamos aumentar este número para 20 mil colaboradores diretos com o crescimento da fábrica”, destacou. 

Karam garante que parte da estrutura deixada pela Ford será aproveitada para a fabricação de peças e componentes. São prédios que não se adaptam ao “estilo” chinês. Segundo ele, se for feita uma foto da fábrica da empresa na China e a fábrica em Camaçari praticamente será a mesma imagem, com algumas exceções por conta da diferença do solo e da paisagem. 

Por isso, os prédios que eram da Ford serão oferecidos para fornecedores que vençam a concorrência para se tornarem parceiros da BYD e queiram fabricar suas peças e todo o material dentro da fábrica de Camaçari. Para tanto, a empresa lançou a campanha “A BYD quer conhecer você!” e repassou para todas as fábricas de peças automotivas e componentes no Brasil. Com isso, ela espera selecionar o melhor time de empresas desta área no Brasil e atraí-las para a Bahia.

O consumidor define – Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, tem sempre uma resposta direta para quem lhe pergunta acerca dos próximos passos da empresa no Brasil. Quais serão os modelos? Qual o percentual entre híbridos e elétricos? A Denza (marca dos modelos super luxo da BYD) vai entrar na planta de Camaçari? “Quem define isso é o consumidor. Tudo que estamos fazendo aqui é baseado naquilo que o nosso consumidor deseja”, afirma Baldy. 

Segundo o vice-presidente da BYD, toda e qualquer mudança que possa ser feita na fábrica, ou na linha de produção com relação a novos produtos, modelos e qualquer outra alteração, depende inicialmente do interesse empresarial da marca em investir neste ou naquele produto, mas essencialmente depende da resposta do consumidor. “Se percebermos que o consumidor quer determinado produto, nós vamos trabalhar para entregar este produto”, disse. 

Denza – Sobre a marca de luxo Denza, Baldy disse que ela surpreendeu a todos no primeiro mês de 2026. Com apenas duas revendas conseguiu superar marcas tradicionais em carros de luxo e superluxo. “Em São Paulo conseguimos vender mais do que a Land Rover que tem umas dez lojas pela cidade e em Brasília batemos com todas as revendas de carros deste segmento durante o mês”, destacou. 

Autonomia – Questionado se a BYD pretende investir em um carro 100% elétrico que tenha uma autonomia maior, Baldy afirmou que essa questão da autonomia para o consumidor é uma “ansiedade de percepção”. “Muitos falam da autonomia antes mesmo de andar em um carro com a autonomia atual. Mexer em autonomia significa mexer no tamanho da bateria, nos carregadores, na capacidade de carga da rua onde a pessoa irá carregar o carro, no bairro, no município e até do estado. Então essa questão da autonomia tem que primeiro superar a ansiedade do consumidor que às vezes pede uma coisa que ele não tem necessidade para o momento”, afirmou.