Diante de tantas subcategorias surgidas nos últimos anos no ambiente automobilístico, uma delas ganha a atenção: a híbrido pleno. Ela combina motor a combustão (gasolina ou etanol) com motor elétrico e tem capacidade de rodar apenas com o motor elétrico por curtas e até médias distâncias, sem recargas externas, circular apenas com o motor a combustão ou mesmo usar os dois motores ao mesmo tempo, conforme a necessidade. E tudo isso acontece automaticamente – sem intervenção do motorista. Isso garante, segundo o Inmetro, 18,4 km/l na cidade e 16 km/l na estrada – dando ao modelo o topo em eficiência, com nota “A” no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV).

Antes, reinava no meio desta turma, os irmãos Toyota Corolla e Corolla Cross. Em seguida, vieram os BYD Song/King e GWM Haval H6. E há mais chegando – e até ultra-híbridos, como recém-lançado C10 Leapmotor (cuja avaliação você verá aqui nos próximos dias ) ou o renovado Kona Hybrid, um SUV compacto/médio da Hyundai, versão topo de linha Signature que custa R$ 235 mil e que foi testado pela coluna Multieixos.

É uma subcategoria que liberta você das amarras de distância (problema dos elétricos puros) e da sustentabilidade (dos exclusivamente e combustão). E, para os padrões de preço praticados no Brasil, já é possível cravar de cara: o Kona é um dos SUVs mais gostosos de dirigir, com pacotes de segurança, mimos e confortos de muito bom nível.

É claro que ele tem um visual até estranho – para os padrões globais de design da China, Coréia do Sul, Europa ou Estados Unidos, em cada um SUV parece uma cópia de outro. Noves fora a subjetividade, não é necessariamente feio – nem bonito – com seus faróis e lanternas integrados nos apliques dos para-lamas e o uso intenso de LEDs. É um carro muito bom, fazendo enterrar da memória a primeira leva, lançada em 2023.

Mas, voltando ao que ele tem de mais interessante: o conjunto híbrido, que a Hyundai ‘reforça’ ser de última geração. Quem coloca o Kona em movimento é o motor elétrico, alimentado pela bateria de 1,32 kWh. Em vias planas, se o pé do motorista for leve e acelerar suavemente, a parte elétrica pode atuar sozinho até cerca de 40 km/h. O mesmo acontece quando se está na velocidade de cruzeiro.
O motor 1.6 a combustão, por sua vez, entra em ação em velocidades mais elevadas ou quando se pisa com mais vigor no acelerador, nos casos de ultrapassagens, por exemplo. Ele também recarrega a bateria na maioria das ocasiões, a não ser quando a demanda de potência é máxima — aí os dois trabalham juntos. Combinados, são 141 cv de potência e 27 kgfm de torque. O conjunto é auxiliado pelo câmbio automatizado de dupla embreagem com 6 marchas, a chamada DCT. As trocas são muito suaves – e a Hyundai atribui isso à tecnologia shift by wire, sem conexão por cabos.

O interessante é que, no dia a dia, mal dá para perceber a transição entre os dois. O sistema de regeneração recarrega a bateria nas desacelerações ou se o pedal do freio é acionado. Aliás, por meio das borboletas atrás do volante, dá até para alterar o nível de regeneração.
Por dentro – O acabamento é elegante, com material de qualidade, sem rebarbas nos painéis ou nos forros das portas – que têm material macio ao toque. As duas telas de 12,3″ integradas são bonitas e fáceis de usar. Há botões para comandos físicos, claro – como o do ar-condicionado de duas zonas e o seletor de modos de condução (Eco, Sport e Snow).

Onde normalmente ficam a alavanca freio de mão e seletor de marchas (que fica na coluna de direção) foi reservado para um porta-objetos grande, bastante útil. Por falar nisso, o câmbio localizado na coluna de direção lembra os antigos Opala antes de virar moda a marcha de salão. É um charme a mais, digamos assim. O ar-condicionado digital dual zone conta com saída para os bancos traseiros e evita o resfriamento de áreas desocupadas, contribuindo para a eficiência energética. Entre outras conveniências, destaque ainda para o carregador de smartphone sem fio e para a função auto hold.

Assistentes de condução – Antes exclusivos de modelos caros, e de marcas tradicionais em equipamentos de segurança, como a Volvo, os sistemas de auxílio à condução estão presentes no Kona – como o piloto automático adaptativo e o assistente de faixas. Por sinal, o carro usa até o GPS integrado para alertar, com LEDs internos piscando em vermelho, sobre excesso de velocidade e radares.
A versão topo de linha testada tem a mais em relação à de entrada um teto-solar panorâmico, câmeras 360, freio de estacionamento elétrico, porta-malas com abertura elétrica e luzes ambientes.
Estabilidade – A suspensão traseira tem sistema independente multilink, com vários braços de apoio. Isso a deixa bem eficiente mesmo. Com isso, filtra muito bem a buraqueira das vias públicas – geralmente asfaltadas com Sonrisal, que derrete com apenas dois pingos d´água. Além do conforto (ainda mais combinado com o baixo nível de ruído), oferece muita estabilidade.

Medidas – O Kona tem 4,35 metros de comprimento, 1,82m de largura e 1,58m de altura. As rodas de 18” tem acabamento diamantado. O porta-malas transporta até 407 litros, chegando a 1.241 litros com o rebatimento do banco traseiro. Aliás, a tampa tem abertura elétrica e acionamento automático, além de regulagem da altura — ideal para vagas com pé-direito reduzido ou para quem tem estatura mais baixa.
Ponto cego – Um dos recursos mais legais do Kona é a câmera de monitoramento de ponto cego (ou Blind-Spot View Monitor – BVM). Ela é um recurso de segurança de ponta e funciona assim: ao acionar a seta para mudar de faixa, uma câmera externa localizada no retrovisor exibe imagens em tempo real no painel de instrumentos digital do carro.

Esse sistema amplia o ângulo de visão tradicional do retrovisor em até 25 graus, permitindo que o condutor enxergue pontos de difícil visualização. Como vantagem, aumenta a segurança ao dirigir, reduzindo drasticamente o risco de colisões laterais durante trocas de faixa. O Hyundai Kona testado também veio equipado com o Surround View Monitor (SVM), que oferece uma visão 360º ao redor do veículo, facilitando manobras em locais estreitos. Essas câmeras são integradas ao conjunto de assistências no painel chamado “SmartSense”.