O mapa dos estados revela quem terá vantagem na disputa presidencial

Hoje, os candidatos que lideram as pesquisas estaduais pertencem majoritariamente ao campo da centro-direita

"Ao contrário da polarização que domina o debate nacional, a disputa nos estados mostra que os partidos de centro continuam sendo decisivos na formação das coalizões regionais" — Flow

Por Elias Tavares — À primeira vista, as pesquisas para governador parecem retratar apenas disputas locais. Mas, quando analisadas em conjunto, elas mostram algo muito maior: quem terá condições de construir os palanques mais competitivos para a eleição presidencial.

Hoje, os candidatos que lideram as pesquisas estaduais pertencem majoritariamente ao campo da centro-direita. PSD, MDB, União Brasil, Progressistas, Republicanos e Podemos aparecem na dianteira em 15 dos 27 estados. Somado ao PL, esse campo político alcança 21 estados com candidatos liderando as pesquisas, formando a ampla maioria dos palanques competitivos do país.

Esse dado ajuda a compreender um movimento importante da eleição de 2026: o protagonismo do Centrão.

Ao contrário da polarização que domina o debate nacional, a disputa nos estados mostra que os partidos de centro continuam sendo decisivos na formação das coalizões regionais. Em muitos estados, eles lideram as pesquisas ou integram as chapas favoritas, mantendo uma capilaridade política construída por meio de governadores, prefeitos, bancadas e estruturas partidárias.

É justamente aí que surge um dos principais desafios para a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Embora o PL mantenha força própria e lidere disputas relevantes, boa parte dos partidos do Centrão tem sinalizado neutralidade na eleição presidencial ou optado por preservar alianças estaduais sem vinculação automática à disputa pelo Palácio do Planalto. Esse movimento reduz a possibilidade de unificação de um grande bloco em torno do candidato do PL e dificulta a construção de palanques únicos em diversos estados.

Por outro lado, essa neutralidade também não representa, automaticamente, uma vitória para o presidente Lula.

Na prática, ela impede que o principal adversário concentre a maior parte da estrutura política dos estados. Em um cenário polarizado, impedir que o oponente reúna governadores, prefeitos e partidos em torno de uma candidatura já produz um efeito estratégico relevante, ainda que esses partidos não formalizem apoio ao governo federal.

Em outras palavras, o maior patrimônio eleitoral do Centrão em 2026 não é apenas o número de governos que poderá conquistar, mas a capacidade de negociar seu apoio no segundo momento da campanha. Com presença nos principais colégios eleitorais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Bahia, essas legendas tendem a influenciar diretamente o equilíbrio da disputa presidencial.

O mapa das pesquisas estaduais, portanto, revela uma característica recorrente da política brasileira: presidentes são eleitos pelo voto nacional, mas as campanhas continuam sendo organizadas a partir dos estados. E, neste momento, quem controla a maior parte desses palanques é justamente o conjunto de partidos do Centrão, que mais uma vez se posiciona como o principal árbitro da sucessão presidencial.

Elias Tavares é cientista político e estrategista eleitoral

Este texto não reflete necessariamente a opinião do blog Em alta na política e do Correio Braziliense