A poda preventiva de árvores deixou de ser apenas uma medida de manutenção urbana para se tornar uma estratégia crítica de resiliência elétrica diante de eventos climáticos extremos. Ventos fortes e tempestades cada vez mais intensas, intensificados pelas mudanças climáticas, transformam galhos e troncos em agentes frequentes de interrupções no fornecimento de energia.
Em Belo Horizonte, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) atua em parceria com a Prefeitura no manejo preventivo da vegetação, abrangendo toda a área de concessão da companhia. O objetivo vai além de evitar apagões: busca reduzir acidentes e tornar o sistema elétrico mais resistente frente à instabilidade climática.
Segundo Marney Antunes, vice-presidente de distribuição da Cemig, a resiliência do sistema depende da integração com o poder público e do uso estratégico de tecnologia. “Resiliência passa por uma boa integração com a prefeitura e por um manejo mais aprimorado, com apoio de tecnologia”, afirma.
O monitoramento das árvores combina métodos tradicionais e tecnologias avançadas. Entre eles, o resistógrafo, que avalia a resistência interna da madeira; tomógrafos sônicos e elétricos, que identificam podridão e umidade; e radar para análise das raízes.
A medição do balanço das árvores ajuda a prever quais exemplares apresentam maior risco de queda em ventos fortes. Para Marina Moura, engenheira ambiental da Cemig, essas ferramentas permitem decisões baseadas em dados, substituindo inspeções visuais subjetivas: “O objetivo é sair do achismo e tomar decisões mais seguras.”
O uso integrado de tecnologia, planejamento urbano e manutenção da vegetação evidencia um ponto crucial. A adaptação às mudanças climáticas não passa apenas por políticas de mitigação, mas também por medidas práticas de resiliência local. No contexto brasileiro, onde tempestades severas têm se tornado mais frequentes, ações como a poda preventiva tornam-se essenciais para evitar apagões e proteger a população.
Mais do que manutenção, a estratégia mostra que a gestão da arborização urbana pode ser um componente central na construção de cidades mais resilientes e preparadas para os impactos do clima extremo.