A criação do Parque Distrital da Serrinha, anunciada pela governadora Celina Leão, reposiciona o governo do Distrito Federal no debate sobre o futuro da Serrinha do Paranoá, mas não afasta os questionamentos sobre o risco de descaracterização ambiental da área original.
O decreto, publicado em edição extra do Diário Oficial do DF nesta terça-feira (8/4), autoriza a criação de uma unidade de conservação em parte da Serrinha e estabelece diretrizes como recuperação de áreas degradadas, proteção da fauna e estímulo a atividades de educação ambiental. A gestão ficará sob o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que terá até dois anos para elaborar o plano de manejo.
Ao justificar a medida, Celina Leão afirmou que a região é “uma das áreas mais estratégicas para a segurança hídrica do Distrito Federal”, destacando seu papel na proteção de nascentes e no equilíbrio ambiental.
A declaração sinaliza uma inflexão em relação ao tratamento dado à área durante a gestão de Ibaneis Rocha, quando o terreno de 716 hectares foi incluído em proposta enviada à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) como o maior e mais valioso lote de um pacote ligado ao socorro financeiro do Banco de Brasília (BRB)
Risco permanece
Apesar da criação do parque, entidades ambientais e parlamentares apontam que o risco sobre a Serrinha permanece. A Associação Preserva Serrinha argumenta que a área protegida pelo decreto não corresponde à mesma gleba incluída no plano relacionado ao BRB. “A população não participou da definição da área do parque”, afirma a entidade, que considera o território delimitado insuficiente frente à extensão total da área.
Críticas semelhantes foram feitas por atores políticos e ambientais. O deputado distrital Fábio Felix (Psol) afirmou que “a Serrinha do Paranoá continua ameaçada”. Em publicação nas redes sociais, ele ressaltou que o parque não alcança 10% da área anteriormente vinculada à proposta de uso de terras públicas para cobrir prejuízos do BRB.
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Já o ambientalista Raphael Sebba, especialista em planejamento urbano, classificou a medida como uma “manobra” e afirmou que a área central do conflito permanece exposta a interesses econômicos.
Em nota, o Ibram afirmou que a área do novo parque e a chamada Gleba A fazem parte do mesmo conjunto territorial da Serrinha do Paranoá. A delimitação parcial, no entanto, mantém a preocupação central, o risco de fragmentação da proteção ambiental, em que apenas uma parcela fica resguardada enquanto a outra permanece exposta a usos controversos.