O primeiro teste político da agenda climática pós-Belém já tem data marcada. Entre 24 e 28 de abril, Colômbia e Holanda promovem, em Santa Marta, a Primeira Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, vista como termômetro do apoio internacional ao fim gradual dos fósseis.
Antecedendo o encontro, a presidência brasileira da COP30 abriu na última sexta-feira (27/2) consulta pública internacional para receber contribuições aos dois “mapas do caminho” propostos pelo Brasil, um para zerar o desmatamento e outro para promover o afastamento progressivo dos combustíveis fósseis. Países e organizações da sociedade civil podem enviar sugestões até 31 de março.
Segundo o Observatório do Clima, a chamada foi publicada via UNFCCC, em formato incomum. “O processo dos mapas do caminho é paralelo às negociações formais dentro da convenção”, afirma a entidade. A proposta original foi derrotada na COP de Belém e retomada por iniciativa da presidência da conferência.
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O governo pretende concluir os documentos técnicos até outubro, para apresentá-los na COP31, na Turquia, em novembro. O roteiro sobre combustíveis fósseis é o mais sensível, diante da oposição de Rússia, Arábia Saudita, Iraque e Índia.
Após a última COP, 84 países declararam apoio a um mapa do caminho para o fim gradual dos fósseis, número que precisará ser mantido ou ampliado para que o tema avance na COP31.
Conflito no Oriente Médio
As tratativas ocorrem em um momento de forte tensão geopolítica no mercado de energia, diante do fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente. A escalada no Oriente Médio elevou os preços do barril e reacendeu o temor de choques de oferta, com impactos diretos sobre inflação, câmbio e crescimento econômico.
A volatilidade reforça o argumento em favor da transição energética. A dependência de combustíveis fósseis expõe economias a riscos geopolíticos e pressões inflacionárias, tornando mais urgente a diversificação da matriz e o investimento em fontes renováveis.