As empresas brasileiras listadas em bolsa vêm avançando na adoção de práticas de eficiência climática e gestão de emissões, segundo a nova carteira do Índice Carbono Eficiente (ICO2 B3) para 2026. Divulgado pela B3, o índice passa a reunir 65 companhias — quatro a mais do que no ciclo anterior — e reforça o papel do mercado de capitais como indutor da transição para uma economia de baixo carbono.
Criado para incentivar a transparência e a melhoria contínua na gestão de gases de efeito estufa (GEE), o ICO2 avalia não apenas o volume de emissões, mas sua relação com a receita das empresas, um critério que busca conciliar desempenho ambiental e eficiência econômica. No ciclo mais recente, 94 companhias participaram do processo de seleção, evidenciando o crescente interesse do mercado por métricas climáticas mais robustas.
O índice é estruturado em duas dimensões principais. A primeira avalia a adoção de boas práticas de governança climática, como a divulgação de inventários de emissões com asseguração independente, a definição de metas Net Zero, a existência de planos de transição climática e a supervisão do tema pelo Conselho de Administração. A segunda dimensão mede a eficiência das emissões de GEE em relação à receita, permitindo comparações entre empresas de diferentes portes e setores.
Os dados da nova carteira indicam avanços relevantes. Entre as companhias que permaneceram no índice, 26% ampliaram o número de práticas adotadas em relação ao ano anterior. Ao todo, 14 empresas já cumprem integralmente os dez critérios previstos na metodologia do ICO2 B3, entre elas Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Grupo Natura, Lojas Renner, Engie Brasil e Vivo (Telefônica).
Eficiência das emissões
Também houve melhora significativa na eficiência das emissões. Das empresas que integravam a carteira anterior e permaneceram no índice, 75% reduziram a intensidade de carbono em relação à receita. O setor de Previdência e Seguros se destacou, com uma queda de 62% no coeficiente de emissões por faturamento. No ranking geral de eficiência, aparecem companhias como B3, Banco ABC, Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander, Tim e Vivo.
Para a B3, o fortalecimento do ICO2 ganha ainda mais relevância no contexto da agenda climática global e da realização da COP30 no Brasil. Segundo a bolsa, a mensuração das emissões é o primeiro passo para alinhar sustentabilidade e crescimento econômico, criando incentivos para que empresas avancem em produtividade ao mesmo tempo em que reduzem seu impacto ambiental.
Em vigor desde 5 de janeiro, a carteira ICO2 B3 2026 consolida o índice como uma das principais ferramentas do mercado brasileiro para orientar investidores e empresas na transição para uma economia de baixo carbono, ao mesmo tempo em que sinaliza uma mudança estrutural na forma como riscos e oportunidades climáticas vêm sendo incorporados às estratégias corporativas.