Um grupo restrito de empresas globais tem conseguido transformar desempenho ambiental em ganhos financeiros concretos, mesmo em um cenário internacional marcado por incertezas econômicas e geopolíticas. É o que mostra o estudo CDP Corporate Health Check 2026, divulgado nesta semana.
Segundo o relatório, apenas 15% das empresas no mundo alcançaram o nível de liderança em ao menos um dos temas ambientais avaliados — clima, água e florestas. Ainda assim, esse grupo reduziu emissões a um ritmo quatro vezes maior que o de seus pares e destravou US$ 218 bilhões em oportunidades financeiras nos últimos 12 meses.
Na América Latina, o valor chegou a US$ 25,063 bilhões, sendo US$ 23,919 bilhões no Brasil, acumulados por empresas líderes em clima.
A liderança ambiental avança de forma desigual entre regiões. O Japão aparece como principal destaque global, com 22% das empresas no nível de liderança em clima, à frente da União Europeia (16%) e do Reino Unido (17%). O Brasil registra 7%, enquanto os Estados Unidos ficam na lanterna, com apenas 5%.
O estudo também aponta que empresas com melhor desempenho ambiental tiveram crescimento superior da capitalização de mercado desde 2022, especialmente nos setores financeiro, de infraestrutura e vestuário. Em comum, essas companhias adotam governança robusta, planos de transição alinhados à meta de 1,5°C e metas ambientais atreladas à remuneração de executivos.
Adaptação ainda é gargalo
O levantamento mostra que o principal desafio segue sendo a adaptação. As empresas reportaram US$ 1,47 trilhão em riscos físicos ambientais, com mais de um quarto desses riscos previstos para se materializar no curto prazo.
Apesar disso, apenas US$ 84,5 bilhões foram investidos em adaptação física em 2025. Na América Latina, esse montante foi de US$ 8,03 bilhões, sendo US$ 7,0 bilhões no Brasil.