O segundo leilão do Programa Eco Invest Brasil começou a sair do papel com a liberação do primeiro financiamento da nova rodada, no valor de R$ 100 milhões, destinado à recuperação produtiva de áreas degradadas da Mata Atlântica.
A operação inaugura uma fase que busca combinar restauração ambiental com viabilidade econômica no agronegócio, em um contexto de crescente pressão por investimentos alinhados às metas climáticas do país.
Os recursos foram captados pela Adecoagro junto ao Itaú BBA e serão aplicados na recuperação de cerca de 4 mil hectares de pastagens degradadas, com foco no cultivo de cana-de-açúcar para abastecimento de uma usina em Mato Grosso do Sul.
O financiamento, estruturado no âmbito do Eco Invest — programa do Ministério da Fazenda coordenado pela Secretaria do Tesouro Nacional — tem dois anos de carência e prazo total de sete anos, sinalizando uma tentativa de adequar crédito de longo prazo à lógica da restauração produtiva.
A operação ilustra a estratégia do governo de usar o sistema financeiro como alavanca para destravar investimentos em escala na recuperação de terras degradadas. A lógica é dupla: reduzir passivos ambientais e, ao mesmo tempo, reinserir áreas improdutivas na economia formal, com ganhos de produtividade e geração de renda.
No caso da Mata Atlântica, bioma historicamente pressionado pela expansão agropecuária, a iniciativa reforça a aposta em modelos de uso do solo que conciliem produção e sustentabilidade.
Contrapartidas
Além do aspecto produtivo, o financiamento impõe contrapartidas socioambientais. Entre elas estão a realização anual de inventários de emissões de gases de efeito estufa, exigências de boas práticas trabalhistas e metas de inclusão de gênero, com participação mínima de mulheres na força de trabalho. O projeto também prevê práticas de adaptação climática, como ações de resiliência hídrica e o uso de técnicas agrícolas de menor impacto, incluindo plantio direto e bioinsumos.
Para o Tesouro Nacional, a primeira operação do segundo leilão funciona como um sinal ao mercado de que o modelo pode ganhar escala. Ao direcionar capital para projetos que combinam produtividade e sustentabilidade, criamos as condições para destravar investimentos em escala, fortalecer cadeias agroprodutivas e ampliar a competitividade do Brasil de forma consistente e sustentável”, afirmou o secretário do Tesouro, Rogério Ceron.
Restauração produtiva
O movimento ocorre após um ano em que o Eco Invest mobilizou mais de R$ 30 bilhões para a restauração produtiva de aproximadamente 1,4 milhão de hectares, consolidando-se como a maior iniciativa do mundo voltada a esse objetivo.
Os dados de pré-alocação indicam que a maior parte dos recursos segue direcionada ao Cerrado, mas a Mata Atlântica aparece como o segundo bioma mais contemplado, à frente da Amazônia.
A expectativa do governo é que novas operações sejam contratadas ainda no primeiro trimestre, ampliando o alcance do programa. O desafio, no entanto, permanece em garantir que o volume crescente de recursos se traduza, de fato, em recuperação ambiental mensurável e em modelos produtivos capazes de resistir às pressões climáticas e de mercado no longo prazo.