Rejeição será o fiel da balança nas eleições

O fator rejeição será decisivo na campanha eleitoral deste ano, alerta o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria

Com o fechamento da janela partidária, ontem, e do fim do prazo para os candidatos deixarem os mandatos no Executivo, hoje, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisará correr contra o tempo para melhorar a avaliação dos eleitores. O fator rejeição será decisivo na campanha eleitoral deste ano, alertou o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria.

Conforme dados da pesquisa Arko/Intel, divulgada ontem, Lula está em uma posição muito incômoda. Ele lidera o ranking de rejeição dos eleitores, com 50,6%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem um rejeição menor, de 24% — maior do que a do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de 16,3%. Assim, o chefe do Executivo terá uma boa dose de trabalho pela frente para reverter esse quadro, apesar de denúncias contra o filho 01 no radar, como a da rachadinha.

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“A chance do Flávio Bolsonaro é dada, independentemente de como ele vai performar ao longo da campanha, porque a rejeição de Lula ainda é muito alta. Isso significa que o eleitorado é crítico ao governo. Portanto, qualquer nome da oposição tem chance, sem dúvida”, destacou Cortez. Para ele, a disputa já está aberta e se o governo Lula não conseguir melhorar a avaliação junto aos eleitores, Flávio é um nome forte para ganhar as eleições neste ano, “ainda que ele tenha uma série de questionamentos como candidato”. Logo, tudo indica que a eleição deste ano será definida por pouquíssimos votos, tal como foi a de 2022.

Prazo curto

A partir de agora, o governo federal vai ter que correr contra o tempo para mostrar o que fez para a população desde 2023. E, para isso, tem até 4 de julho, quando vence o prazo para o Executivo fazer propaganda, inaugurar obras para conquistar os indecisos e melhorar a imagem junto ao eleitorado. Depois dessa data, começa a propaganda intrapartidária dos candidatos.

Imagem negativa

Assim como a rejeição elevada, a imagem negativa de Lula também é elevada, chegando a 55%, acima da positiva, de 43%, conforme os dados da pesquisa da Atlas/Arko. Já Flávio Bolsonaro tem imagem positiva para 53% do eleitorado e positiva para 44% dos entrevistados. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, por sua vez, tem uma imagem negativa maior, de 57%, e só é superado pela primeira-dama Rosângela Janja da Silva (62%); pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (66%); pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB); e pelo presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP) — os dois últimos empatados com 90% de percepção negativa do eleitorado.

Senadores na berlinda

Seis pesquisas estaduais da Atlas Intel, divulgadas recentemente, mostram senadores governistas e da oposição que podem perder os mandatos que têm. No Amapá, Randolfe Rodrigues (PT) aparece em terceiro lugar no consolidado dos votos para as duas vagas disponíveis para o Senado, com 16,3%. No Piauí, Ciro Nogueira (PP) também está em terceiro lugar, com 17,7% dos votos. Outros ex-senadores também estão com dificuldade em retornar para à Casa, como a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), no Paraná — em terceiro lugar, com 16,5%; Eunício Oliveira (MDB), no Ceará, em quarto lugar, com 8,7%; e Marina Silva (Rede), em São Paulo, em terceiro lugar, com 19,6%.

Discurso regional

Na próxima quarta-feira, a Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) e a Frente Parlamentar de Comércio e Serviços (FCS) realizam juntas uma reunião-almoço para discutir os impactos da mudança na escala 6 x 1, agora no âmbito dos municípios. As frentes têm promovido diversas rodadas de conversa sobre a pauta. O encontro contará com a participação do prefeito de Porto Alegre e presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), Sebastião Melo, além de representantes do setor produtivo.

Pente fino

Enquanto as negociações para o acordo de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, caminham, investigadores responsáveis pelo caso buscam os bens do empresário mineiro e o emaranhado de fundos dele no exterior. O mapeamento dos recursos de Vorcaro em paraísos fiscais, inclusive, deve ajudar no processo de devolução de ativos do banqueiro como contrapartida do acordo de delação premiada. A expectativa é de que Vorcaro aponte outros CPFs de beneficiários desse dinheiro que está lá fora.

Siga o dinheiro

Não à toa, o Banco de Brasília (BRB) se adiantou às investigações em busca dos bens de Vorcaro no exterior para o acordo de delação premiada. Entrou na Justiça com o pedido de tutela cautelar, com o objetivo de “resguardar o direito à eventual recomposição integral dos danos sofridos”. Assim, o banco do Distrito Federal tenta reduzir o estrago provocado pelo Master nas contas da instituição que, pelas investigações da Polícia Federal, comprou R$ 12,2 bilhões em créditos podres do Master. O BRB tenta achar recursos para cobrir o rombo deixado pelo Master e que ainda não foi divulgado no balanço de 2025.

Surpresa boa

Fora da política, a Sexta-Feira Santa trouxe uma bela surpresa para os fãs da banda U2, incluindo a interina desta coluna. A banda de rock irlandesa lançou o EP Easter Lily, com seis músicas inéditas. Em carta publicada no Instagram da banda, o vocalista Bono escreveu que o novo álbum trouxe muitas perguntas pessoais envolvendo vários temas nesse cenário de guerras, como religião e amizade. Bono ainda destacou que o álbum faz uma uma homenagem a Patti Smith, em referência ao álbum Easter, que, segundo ele, deu muita esperança para ele, um jovem de 18 anos, quando foi lançado em 1978. “Tentaremos fazer alarde e pompa em outra ocasião para lembrar ao resto do mundo que existimos, mas enquanto isso… isso fica entre nós”, escreveu o vocalista.

*Coluna Brasília-DF publicada no Correio Braziliense, com colaboração de Eduarda Esposito