O banco Itaú Unibanco acaba de revisar os cenários macroeconômicos para o Brasil e o mundo e elevar as previsões para a inflação e a taxa básica da economia (Selic), diante da perspectiva de piora no cenário internacional por conta do conflito no Oriente Médio e do aumento no preço do petróleo.
De acordo com relatório da instituição financeira divulgado, nesta segunda-feira (30/3), a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano passou de 3,8% para 4,5%, no teto da meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). E, para 2007, a previsão para o indicador oficial do custo de vida passou de 3,9% para 4,1%, mais distante do centro da meta, de 3%. Os valores médios do barril do petróleo tipo Brent — referência para os preços da Petrobras — passaram de US$ 65 para US$ 75, e, consequentemente, não descartando impactos nos preços da gasolina e de alimentos via aumento do frete.
Nesse novo cenário, Mesquita também elevou a previsão para a taxa Selic no fim deste ano, de 12,25% para 13% anuais, “refletindo o choque de petróleo e da deterioração do cenário inflacionário”, em linha com as novas previsões do mercado. Atualmente, a taxa básica foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, e, para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, no fim de abril, ele prevê novo corte de mesma magnitude. Para 2027, o Itaú Unibanco também elevou a previsão para a taxa Selic no fim do ano, de 11,25% para 12%.
“Dado que a incerteza deve permanecer elevada até a próxima reunião do Copom, e que consideramos no nosso cenário base uma resolução do conflito apenas no fim de abril e alguma normalização do Estreito de Ormuz em maio, esperamos novo corte de mesma magnitude (-25 pontos-base) na próxima reunião”, destacou o relatório. Segundo o documento, a sinalização recente, no entanto, não estabelece uma barra alta para um corte de magnitude maior (-50 pontos-base) em abril, “caso a normalização da distribuição de petróleo ocorra mais rapidamente”.
O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, que já vinha prevendo uma Selic de 13% ao ano no fim de dezembro, não descarta que esse patamar poderá ser o piso, se a guerra no Oriente Médio continuar dando sinais de que deverá durar mais do que o esperado, conforme matéria publicada na edição de domingo (29/3), no Correio.
A equipe de Mesquita ainda manteve em 1,9% a previsão para o crescimento do PIB brasileiro neste ano, mas reduziu de 3,6% para 3,4% a estimativa de expansão do PIB global. O Itaú Unibanco manteve a projeção de desaceleração da atividade, que cresceu 2,3%, em 2025, e registrará variação de 1,7% no próximo ano.
“Mantivemos nossas projeções de crescimento do PIB de 2026 e de 2027. A ligeira revisão negativa que estamos fazendo na projeção de PIB mundial e a perspectiva de maior contração monetária serão compensadas pelo efeito positivo da elevação do preço do petróleo e incorporação de um cenário mais positivo para o crédito habitacional. Cabe notar, contudo, que o viés de alta que havia para 2026 diminuiu diante de uma eventual desaceleração global mais intensa resultante do conflito”, destacou o comunicado.
As novas projeções do Itaú Unibanco para as contas públicas foram revisadas, com redução no tamanho do rombo fiscal neste ano e no próximo, de 0,8% do PIB e de 0,9% do PIB, respectivamente, para 0,5% e 0,6%. Para este ano, o banco prevê a dívida pública bruta chegando a 82,8% do PIB, levemente abaixo da previsão anterior, de 83,4% do PIB, em grande, parte, devido ao aumento do PIB nominal devido à correção maior pela inflação, para R$ 13,4 trilhões. E, para 2027, quando o PIB nominal deverá chegar a R$ 14,3 trilhões, o indicador passará para 86,4% do PIB, abaixo da projeção anterior, de 87,2% do PIB.