Fed sob novo comando mantém juros estáveis e piora projeções de inflação

Sob novo comando, Fed decide manter juros estáveis, em decisão unânime, e piora as projeções para o indicador do custo de vida

presidente do FED, Kevin Warsh/ Crédito: Brendan McDermid/AFP

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), decidiu, nesta quarta-feira (17/6), manter a taxa de juros básica no intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano. E, a decisão do Comitê foi unânime na primeira reunião do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, marcando um comunicado bastante curto em uma sinalização de que dificilmente haverá corte de juros neste ano diante do aumento das pressões inflacionárias.

Pelas novas projeções do Fed, houve piora nas estimativas para a inflação desde a última projeção do Fed, em março, passando de 2,7% para 3,6%, bem acima da meta de 2%, devido ao impacto do conflito no Oriente Médio. “A inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo em parte choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo o de energia. O Comitê garantirá a estabilidade de preços”, destacou o comunicado do Fed, em tom hawkish, pouco tolerante com a inflação, em uma decisão consensual que há muito tempo não se via no Comitê.

De acordo com analistas do mercado, o comunicado do Fed deixa claro de que, neste ano, não haverá mais chances de corte de juros pelo Fed. “O Federal Reserve manteve os juros pela quarta reunião seguida, em decisão unânime, mas o recado relevante da estreia de Kevin Warsh não está na taxa, e sim no quadro de projeções. O Fed retirou do mapa o corte que ainda previa para 2026 e passou a sinalizar que uma alta é possível: a mediana das projeções para o fim do ano subiu de 3,4% (em março) para 3,8%, acima do nível atual. Na prática, o Comitê admitiu que o próximo passo pode ser para cima, não para baixo. A leitura sobre o ciclo é clara: o capítulo de cortes foi encerrado e a discussão migrou para quanto ainda pode ser preciso subir. Pesou a inflação alimentada pela energia no rastro do conflito no Oriente Médio, somada a uma atividade e a um mercado de trabalho que não cederam. Para crédito e atividade, é a confirmação de ‘juro alto por mais tempo’ na maior economia do mundo: financiamento caro, freio sobre consumo e investimento e condições financeiras globais mais apertadas”, avaliou Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital.

Na avaliação dele, um Fed com viés de alta de juros sustenta o dólar mais forte e mantém o capital ancorado nos Estados Unidos, drenado ainda pelo tema de inteligência artificial. E é exatamente aqui que o petróleo amarra o raciocínio: a baixa recente do barril, com a desescalada no Oriente Médio, “ajuda na margem, mas o Fed avaliou que o alívio não basta diante da inflação já contratada”. Na avaliação dele, o Banco Central brasileiro, que também decido hoje sobre a taxa básica da economia (Selic), segue com um ambiente mais desconfortável. “Cortar a Selic, hoje, significa remar contra o banco central norte-americano, com o custo de pressionar ainda mais o câmbio”, acrescentou.

A economista Bruna Centeno, sócia e advisor na Blue3 Investimentos, por sua vez, lembrou que a manutenção dos juros pelo Fed era esperada pelo mercado e o Fed “capturou de forma bastante pessimista todos os movimentos econômicos e geopolíticos sinalizando a possibilidade de aumentar um novo guidance um novo direcionamento, com possibilidade de aumento nos juros”.

Na nota, o Comitê ainda reafirmou sua política de manter amplas reservas no sistema bancário. “A atividade econômica está se expandindo em um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio. O crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego mudou pouco nas projeções atuais, na comparação com a reunião anterior”, disse o comunicado.

Pelas projeções do Fed, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA deverá crescer 2,2%, neste ano, passando para 2,3%, em 2027. Na estimativa anterior, de março, o banco central norte-americano previa crescimento de 2,3% no PIB deste ano e taxa de desemprego de 4,4%, e, agora, passou a prever taxa de desemprego de 4,3%, neste ano, mesma taxa prevista para o próximo ano, que permaneceu estável na projeção atual

A estimativa para o núcleo da inflação deste ano também piorou, subindo de 2,7% para 3,3%, na mesma base de comparação. Para 2027, as projeções para a inflação oficial passaram de 2,2% para 2,3% e a meta só deverá ser alcançada em 2028. A estimativa para o núcleo da inflação deste ano também piorou, subindo de 2,7% para 3,3%, na mesma base de comparação. Para 2027, as projeções para a inflação oficial passaram de 2,2% para 2,3% e o centro da meta só deverá ser alcançado em 2028.

“A inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo em parte choques de oferta que impulsionaram aumentos de preços em certos setores, incluindo o de energia. O Comitê garantirá a estabilidade de preços”, destacou o comunicado do Fed, em tom hawkish, pouco tolerante com a inflação.

Na nota, o Comitê ainda reafirmou sua política de manter amplas reservas no sistema bancário. “A atividade econômica está se expandindo em um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio. O crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes. A criação de empregos acompanhou o crescimento da força de trabalho e a taxa de desemprego mudou pouco nas projeções atuais, na comparação com a reunião anterior”, informou o comunicado do Fomc.

Pelas novas projeções do Fed, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA deverá crescer 2,2%, neste ano, passando para 2,3%, em 2027. A nova estimativa de crescimento do PIB ficou levemente abaixo da anterior, de 2,3%, e taxa de desemprego, passou de 4,4%, para 4,3% neste ano, mesma taxa prevista para o próximo ano, que permaneceu estável na projeção atual.