Na dança das cadeiras do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), oficializada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), nesta terça-feira (31/3), o petista anunciou a troca de 14 ministérios. Entre eles, decidiu escolher um nome fora da equipe econômica para chefiar o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), em substituição à ministra Simone Tebet, que deixa o governo para concorrer a uma vaga no Senado Federal.
Para o lugar de Tebet, Lula nomeou o economista Bruno Moretti, servidor de carreira do Planejamento, um dos assessores do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Assim, o ex-governador da Bahia vai ganhando espaço na Esplanada dos Ministérios, e o MPO, que é um dos ministérios mais desfalcados do governo, passa a ser uma espécie de “puxadinho” da Casa Civil.
Além de preterir o atual número 2 da pasta, o secretário-executivo do MPO, Gustavo Guimarães, como é de praxe, com essa mudança, Lula evidencia o aumento de poder de Rui Costa, que coincide com a saída de Fernando Haddad, do Ministério da Fazenda, no mês passado.
Costa e Haddad, que era o ministro mais poderoso do governo Lula, disputavam a preferência do chefe do Executivo como principal conselheiro. Além disso, os embates entre os dois eram clássicos na disputa pelo Orçamento Federal, pois o ex-governador da Bahia é conhecido, entre os técnicos do governo, como um dos ministros mais gastadores e, por conta disso, ainda ajudou a fazer com que o a credibilidade do arcabouço fiscal, criado pela equipe de Haddad, caísse por terra no mercado financeiro.
Pasta esvaziada
Vale lembrar que, desde o início do governo atual, o Ministério do Planejamento foi esvaziado assim que Tebet assumiu a pasta. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das maiores vitrines dos governos petistas, está sob o comando de Rui Costa desde o início do terceiro mandato de Lula. Contudo, o PAC sempre ficou sob o chapéu do Planejamento, inclusive, quando a ex-presidente Dilma Rousseff, a “mãe do PAC”, chefiava a Casa Civil, no segundo mandato do petista.
Além disso, o órgão perdeu a área de gestão para o Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) para abrigar a ministra Esther Dweck, que já chefiou a Secretaria do Orçamento Federal. Outro desfalque do Ministério do Planejamento de governos anteriores foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que, atualmente, está subordinado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Apesar de muitos petistas não gostarem de admitir, o apoio de Simone Tebet foi fundamental para a vitória de Lula contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno. A ex-senadora ficou em terceiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais daquele ano, mas ela não foi devidamente valorizada pelo chefe do Executivo.
O apoio a Lula custou para a ex-senadora o eleitorado do Mato Grosso do Sul, que é bastante conservador. E, apesar de ter ficado só com o sabugo da pasta e teve pouca visibilidade para mostrar trabalho, Tebet seguiu fiel a Lula. Agora, ela deixou o MDB e mudou-se de domicílio eleitoral para São Paulo e está bem cotada nas pesquisas para eleger-se de volta para o Senado pelo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, o PSB, depois de deixar o MDB.
De acordo com fontes da equipe econômica, é possível que Gustavo Guimarães, deixe a secretaria-executiva do Planejamento.
Perfil do novo ministro
A escolha de Bruno Moretti para chefiar o MPO pegou a equipe da pasta de surpresa, especialmente devido ao currículo dele enviado pela Casa Civil, que é bem curto, não passando de um parágrafo.
Formado em economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutor em sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), Moretti era secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil e sua indicação teve influência de Costa.