O conflito no Oriente Médio tem criado uma série de incertezas no mercado financeiro, que está fazendo revisões das projeções macroeconômicas, principalmente, para a inflação e para os juros brasileiros. Nesta terça-feira (31/3), foi a vez de o banco Bradesco piorar as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e para a taxa básica da economia (Selic), depois de os ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã completarem mais de um mês.
As novas estimativas da equipe liderada pelo economista-chefe Fernando Honorato, consideram que o Estreito de Ormuz será reaberto gradualmente ao longo do segundo trimestre, com preços médios de petróleo flutuando entre US$ 70 e US$ 80 o barril até o fim do ano.
Assim, a previsão para o IPCA acumulado em 2026 foi revisada de 3,8% para 4,3%, e, para o próximo ano, a estimativa para o indicador foi mantida em 3,4%. “O primeiro impacto é a elevação de combustíveis, que já vem sendo notado nas bombas”, destacou Honorato, em relatório a clientes.
O documento ressaltou que a diferença entre os preços dos combustíveis no mercado doméstico já supera 60%, no caso do diesel, e em 40%, no caso da gasolina. “Ou seja, mesmo que haja arrefecimento nos preços do petróleo, ainda não haveria espaço para corte de preços internos de combustíveis que compensasse o que já subiu para o consumidor. Além disso, o gás de cozinha e o querosene de aviação também podem ser reajustados para cima”, acrescentou.
A previsão do Bradesco para a taxa Selic no fim deste ano foi revisada de 12% para 12,50% anuais, em linha com a nova mediana das estimativas do mercado coletadas pelo Banco Central no boletim Focus, para o fim deste ano, mas abaixo da nova projeção do Itaú Unibanco, de 13% anuais.
“O Banco Central adotou, por ora, uma postura de cautela e serenidade até que se tenha mais clareza sobre o futuro do conflito e iniciou o ciclo de corte de juros mais lentamente. Dadas as incertezas e consequências da guerra sobre preços e expectativas, esperamos um ciclo de cortes até 12,5% ao fim do ano”, destacou o relatório do Bradesco. Enquanto isso, para 2027, a projeção de 9,50% anuais não sofreu alterações, mas o dado ficou acima da mediana das apostas do mercado, de 10% anuais.
A expectativa dos economistas do banco para o dólar até o fim do ano, por sua vez, foi mantida em R$ 5,35, até o fim do ano, até que haja mais clareza sobre os rumos do conflito no Oriente Médio. “Em ambiente de elevada volatilidade global e baixíssima previsibilidade, chama a atenção a resiliência do real frente ao dólar”, destacou Honorato, no relatório. A equipe dele também manteve as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e do próximo de 1,5% e 1,7%, respectivamente.