FMI atualiza projeções e prevê PIB maior para o Brasil neste ano

Fundo reduz de 3,1% para 3% a projeção de expansão do PIB global, e eleva de 1,9% para 2,4% a perspectiva para o avanço do PIB brasileiro deste ano

FMI sede. crédito: Rosana Hessel/DAPress

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou, nesta quarta-feira (8/7), a revisão das projeções do relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), de abril. E, apesar de reduzir as estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global, reforçando as perspectivas de uma desaceleração maior na economia, melhorou as projeções para o PIB brasileiro, neste ano e no próximo, refletindo a resiliência da atividade doméstica.

O Fundo revisou de 3,1% para 3% a previsão para crescimento do PIB global neste ano, e elevou de 3,2% para 3,4% a estimativa para o próximo ano, e, com isso, reduzindo para 3,4% expectativa da média de expansão econômica acumulada em relação ao período de 2024 e 2025, de 3,5%. Enquanto isso, por conta das incertezas no Oriente Médio, também elevou as estimativas para a inflação global, passando de 4,3% para 4,7%, neste ano, e de 3,7% para 3,9%, em 2027. Dessa forma, o Fundo reconheceu que “a tendência de desinflação observada desde o início de 2024 estagnou”.

“Os riscos para as perspectivas econômicas estão mais equilibrados do que em abril, mas ainda pendem para o lado negativo. A possibilidade de um novo agravamento do conflito no Oriente Médio é uma preocupação relevante e pode prolongar a volatilidade dos preços de commodities, ameaçar ainda mais as cadeias de suprimentos, elevar preços e pressionar as condições financeiras”, destacou o FMI no documento com as atualizações do WEO de abril.

De acordo com o documento, as perspectivas variam conforme a exposição à guerra e à cadeia de valor da tecnologia e consideram que a reabertura do Estreito de Ormuz ocorra em meados deste mês, com as condições retornando, em linhas gerais, ao cenário anterior à guerra até março de 2027. Contudo, ontem à noite, os Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã, o que pode impactar em um prolongamento das incertezas que estavam começando a diminuir com os recentes avanços no acordo de paz.

Pelas novas projeções do FMI, o PIB do Brasil deve crescer 2,4%, neste ano, dado 0,5 ponto percentual acima da estimativa anterior, de 1,9%. Para 2027, o organismo multilateral elevou a projeção de alta do PIB de 2% para 2,2%. “Espera-se que o crescimento no Brasil se mantenha resiliente em 2026, mas que desacelere ligeiramente no ano seguinte”, destacou o relatório.

Conforme as estimativas atualizadas do Fundo para o PIB da América Latina e Caribe, o PIB regional deverá ter um crescimento de 2,4%, neste ano, em vez dos 2,3% projetados em abril. E, para 2027, a perspectiva de expansão de 2,7% foi mantida. Enquanto isso, o órgão revisou de 3,9% para 3,8% a projeção de crescimento das economias emergentes, neste ano, e elevou de 4,2% para 4,5% a perspectiva de avanço do PIB dos emergentes em 2027.

O relatório do Fundo destaca que a atividade econômica global e as perspectivas estão sendo moldadas por duas forças principais, que atuam em direções opostas e geram efeitos assimétricos entre os países. A primeira é o choque negativo de oferta provocado pela guerra no Oriente Médio. E a segunda é o choque tecnológico positivo em curso, que se manifesta na aceleração do ciclo tecnológico global, impulsionado em grande medida pelos avanços e pela implementação de ferramentas de inteligência artificial (IA).

“Até o momento, a economia global como um todo resistiu ao choque da guerra melhor do que se temia. As variações e repercussões nos principais canais de transmissão — preços de commodities, expectativas de inflação e condições financeiras — foram relativamente limitadas”, destacou o Fundo ao comentar sobre as revisões atuais.

O organismo multilateral ainda alertou que o processo de transmissão ainda está em estágio inicial. “A redução de estoques (comerciais e estratégicos) proporcionou um alívio temporário diante da diminuição dos fluxos de energia, ao passo que indicadores prospectivos — como a pressão nas cadeias de suprimentos e os índices de produção industrial (PMI) — apontam para uma desaceleração da atividade à frente, sendo que alguns países enfrentam mais dificuldades do que outros”, acrescentou.