O Brasil perdeu sete posições na edição de 2026 do Ranking de Competitividade do IMD World Competitiveness Center (WCC). Conforme o relatório divulgado, nesta quinta-feira (18/6), pela instituição sediada na Suíça, o país passou a ocupar a 65ª colocação em uma listagem de 70 nações.
O ranking é liderado por Singapura, que ocupava o segundo lugar na edição do ano passado. De acordo com o estudo, o país asiático destaca-se pelo ambiente favorável aos negócios e pela solidez das instituições. Em segundo lugar, ficou Hong Kong, e, em terceiro, a Suíça. Com isso, o Brasil permanece entre os países com maiores desafios para ampliar sua competitividade no cenário internacional, e só ficou à frente de cinco economias: Botsuana, Mongólia, Nigéria, Namíbia e Venezuela.
Entre os quatro fatores avaliados, o Brasil apresentou piora em todos os indicadores, com destaque para a eficiência dos negócios, que recuou 11 posições, para e para a performance econômica, que caiu seis posições. A eficiência governamental manteve a trajetória de deterioração observada desde 2022, e o país ficou em penúltimo lugar entre os 70 países analisados.
O Brasil apresentou destaque na atração de investimentos, geração de empregos, empreendedorismo e sustentabilidade, refletindo um ambiente econômico dinâmico e favorável ao desenvolvimento de longo prazo. Contudo, o custo de capital e da mão de obra pesaram na perda de posições do Brasil no ranking do IMD. O custo de capital elevado, aliás, colocou o Brasil em último lugar no ranking e atuou como uma restrição estrutural à expansão do investimento produtivo e à modernização da estrutura empresarial, de acordo com o estudo. “Esse resultado afeta diretamente a formação de capital de longo prazo, ao encarecer decisões de investimento e reduzir a previsibilidade financeira dos projetos. Em termos práticos, o ambiente se torna menos propício à alocação de recursos em inovação e expansão produtiva, especialmente em setores mais sensíveis ao ciclo de crédito”, destacou o documento.
O estudo destacou também que, enquanto economias como Suíça e Singapura operam com custos de capital mais baixos, sustentados por estabilidade macroeconômica e elevada confiança institucional, o Brasil ainda apresenta um ambiente financeiro mais sensível a incertezas fiscais e de risco. “Nesses países, a previsibilidade reduz o prêmio de risco e amplia a eficiência do financiamento de longo prazo. Nesse contexto, o avanço brasileiro depende da ampliação da concorrência no sistema financeiro e do fortalecimento de instrumentos de crédito de longo prazo”, acrescentou o relatório.
Desafios do Brasil
Conforme dados do estudo, esses resultados evidenciam desafios persistentes para a competitividade brasileira, especialmente em aspectos relacionados à eficiência institucional e à sustentação do crescimento econômico. Na contramão, o Brasil destacou-se pela forte capacidade de geração de empregos no longo prazo, ficando em 5º lugar, resultado de um mercado de trabalho resiliente e da expansão de atividades econômicas em diferentes setores. “Esse desempenho demonstra a capacidade de o país de criar oportunidades de forma consistente, contribuindo para o dinamismo da economia e para a ampliação da participação da população no mercado de trabalho”, informou o estudo.
“Estar entre os países com maior capacidade de geração de empregos mostra a força e a resiliência da economia brasileira. Mesmo diante de desafios internos e externos, o país mantém sua capacidade de criar oportunidades e absorver trabalhadores em diferentes setores produtivos”, avaliou Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, no documento.
Metodologia
A metodologia do anuário, que tem a parceria técnica do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC), é elaborada a partir de dados estatísticos coletados em fontes internacionais relevantes e da percepção de executivos, coletada em uma pesquisa, que avalia um total de 341 indicadores que refletem importantes percepções sobre performance econômica, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura, destacando as perceptivas de governo e organizações privadas. Neste ano, o ranking passou a incluir uma nova economia: o Vietnã.