O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) e o Ministério da Fazenda informaram, nesta quarta-feira (8/4), em nota conjunta, que o Secretário de Política Econômica (SPE) da Fazenda, Guilherme Mello, passará a exercer a função de secretário-executivo do MPO, no lugar de Gustavo Arruda, que deixou o cargo após a saída da ministra Simone Tebet. Ela vai concorrer uma vaga ao Senado Federal pelo estado de São Paulo no PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Integrante da equipe de transição, o economista Guilherme Mello chefiou a SPE desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de quem é muito próximo, assim como de um dos conselheiros do presidente Lula, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
De acordo com o comunicado conjunto das duas pastas, “Mello desempenhou papel relevante na formulação e no acompanhamento da política econômica, contribuindo para o fortalecimento do regime fiscal, o aprimoramento das projeções macroeconômicas e a consolidação de uma agenda voltada ao crescimento econômico com inclusão social, sustentabilidade ambiental e redução das desigualdades. Sua atuação foi marcada pela coordenação técnica e pela articulação institucional, com foco no aprimoramento da formulação de políticas públicas”.
A chegada de Mello no MPO “fortalecerá a integração entre planejamento, Orçamento e política econômica, “ampliando a coordenação da equipe econômica e a capacidade de formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas”. “Os dois ministérios seguirão atuando de forma integrada, com o objetivo de assegurar a consistência da política econômica, a sustentabilidade das contas públicas e o avanço de uma agenda de desenvolvimento econômico, social e sustentável”, acrescentou a nota.
A data da posse ainda não foi divulgada. Guilherme Mello também foi indicado pelo ex-ministro Haddad para uma uma das duas vagas abertas nas diretorias do Banco Central, que seguem abertas desde o início do ano com a saída ex-diretores de Política Econômica Diogo Guillen e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução Renato Gomes, cujos mandatos terminaram em dezembro de 2025. O presidente Lula ainda não enviou os nomes ao Senado Federal.
Essa demora, inclusive, coincide com a confusão do desgaste de Lula com a indicação do nome do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga deixada pelo ministro Roberto Luís Barroso, em outubro do ano passado, formalizada, na semana passada. Ainda há incertezas sobre o resultado da sabatina do ex-procurador no Senado Federal. Messias precisará de 41 votos dos 81 senadores para ter seu nome aprovado. O ex-procurador sempre é lembrado por ter sido citado pela ex-presidente Dilma Rousseff como o encarregado de levar o termo de posse a Lula em uma conversa telefônica divulgada no âmbito da Operação Lava-Jato, antes da prisão do petista.
Primeira mulher na SPE
No Ministério da Fazenda, Mello será substituído pela tual subsecretária de Política Fiscal da SPE, Débora Freire. Ela será a primeira mulher a ocupar o cargo em toda a história do ministério.
Débora Freire é servidora pública federal e possui reconhecida trajetória acadêmica e técnica nas áreas de política fiscal, macroeconomia e distribuição de renda. Desde 2023, à frente da subsecretaria de Política Fiscal, “tem contribuído de forma decisiva para o aprimoramento do debate fiscal e para a formulação de políticas alinhadas ao equilíbrio das contas públicas e ao desenvolvimento com inclusão social e redução das desigualdades”, completou o comunicado conjunto.