Bolsas dos EUA perdem 4,4 vezes o PIB brasileiro desde a posse de Trump

Bolsas de Wall Street acumulam perdas de US$ 9,81 trilhões desde a posse de Trump, o equivalente a 4,4 vezes o PIB do Brasil em 2024. Em dois dias, o prejuízo somou US$ 6,08 trilhões

O tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciado na última quarta-feira (2/4), tem feito as bolsas norte-americanas derreterem e, a reboque, as internacionais, inclusive, a brasileira, que encerrou, nesta sexta-feira (4/4), com queda de 2,96%, a maior desde 18 de dezembro de 2024. Na véspera, o Índice Bovespa (IBovespa), principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) andou de lado ao registrar leve queda de 0,04%.

O mercado acionário dos Estados Unidos registrou perdas gigantescas e superiores ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que somaram quase US$ 2,2 trilhões em 2024. Conforme dados da Elos Ayta, em apenas dois dias as perdas dos investidores de Wall Street somaram US$ 6,08 trilhões, quase o triplo do PIB brasileiro. E, desde 20 de janeiro, quando Trump assumiu o comando da Casa Branca, as perdas somam quase US$ 9,81 trilhões – o equivalente a 4,4 vezes o PIB brasileiro.

“Essa derrocada nas bolsas foi puxada, principalmente, pelo fraco desempenho das chamadas Sete Magníficas, grupo das sete gigantes da tecnologia que lideraram os mercados nos últimos anos”, destacou Einar Rivero, principal executivo da Elos Ayta.  Apenas a Nasdaq, bolsa das empresas de tecnologia de Wall Street, acumula mais de 20% de queda desde a posse de Trump.

Segundo ele, apenas essas sete empresas perderam, juntas, US$ 802 bilhões nesta sexta-feira, após a perda de US$ 1,03 trilhão na sessão anterior. No acumulado dos dois últimos dias, a perda dessas sete companhias somou US$ 1,83 trilhão, elevando para US$ 4,26 trilhões a desvalorização desde o início do governo do republicano.

A Nvidia, por exemplo, despencou US$ 183 bilhões, hoje, acumulando desvalorização de US$ 1,07 trilhão no acumulado desde janeiro. A Apple e a Microsoft também registraram perdas expressivas, de US$ 533 bilhões e de US$ 515 bilhões, respectivamente, no acumulado do ano.

Mas o impacto não se restringiu às gigantes tecnológicas, de acordo com Rivero. O restante das empresas norte-americanas registrou perdas de US$ 2,37 trilhões apenas no pregão desta sexta-feira – queda ainda mais acentuada do que os prejuízos de US$ 1,88 trilhão do dia anterior. Nos últimos dois dias, a retração no valor de mercado das demais companhias atingiu US$ 4,25 trilhões, elevando as perdas desde janeiro para US$ 5,54 trilhões.

O tombo do IBovespa reflete um movimento de aversão ao risco, que impactou fortemente a bolsa brasileira e levou o índice a acumular perda de 2,31% apenas nos primeiros dias de abril. Desde janeiro de 2021, variações negativas dessa magnitude ocorreram em 12 ocasiões e, com isso, o tombo de hoje foi a 13ª maior queda diária dos últimos quatro anos, conforme os dados levantados por Rivero.

Choque de realidade

Na avaliação de Eduardo Velho, economista-chefe da Equatorial Investimentos, o tombo da B3 e a alta de 3,68% no dólar, para R$ 5,835, hoje, mostram que os investidores brasileiros começaram a ter um choque de realidade sobre os verdadeiros impactos dessa guerra comercial entre Estados Unidos e China deflagrada por Trump.

“O mercado analisou melhor os impactos dessa guerra comercial no Brasil e, hoje, ficou mais claro que o país também tem muito a perder nesse cenário de aumento de risco global, o que ajuda a valorizar ainda mais o dólar, porque o fluxo para mercados emergentes tende a diminuir”, explicou. Para ele,

Luis Otavio Leal de Barros, economista-chefe da G5 Partners, considera que, após o anúncio do tarifaço de Trump, nesta semana, “o comércio internacional como conhecemos acabou”, e o desempenho da B3 hoje refletiu “um dia clássico de aversão ao risco”. Para ele, Trump “abriu uma caixa de pandora de impactos imprevisíveis” e os efeitos para o Brasil ainda não estão muito claros.

“O dólar mais fraco e o aumento da disponibilidade de produtos no mundo, principalmente chineses, deverão impactar positivamente a inflação brasileira, abrindo espaço para uma política monetária menos apertada do que se esperava e, consequentemente, um crescimento médio mais alto. Mas, por enquanto, apesar de os cenários traçados acima serem bastante possíveis, ainda temos pouca convicção sobre o que pode acontecer daqui para a frente”, afirmou Leal.